domingo, 21 de novembro de 2021

A fome



Adeus Maria
Que eu vou p'ró mar
Buscar sardinha
P'ra seres rainha
Ela é fresquinha
É como a prata
Não tenhas medo
Que o mar não mata.
(popular - exerto)

- Não vás ao mar
esta manhã não vás ao mar
filho
ele está bravo
e pode-te apanhar
e eu aqui fico 
sozinha
a lamentar
ter-te deixado 
ganhar o pão
para nos sustentar!

- Olha lá, mãe
não tenhas medo
de quem
de braços abertos
nos recebe
como ninguém;

o mar não mata
a fome é que mata 
nesta desgraça
que nos sustem!



(Integral)

Não vás ao mar, Tónho
Está o mar ruim, Tónho
Se vais ao mar
Fico sem ti, Tónho

Ai Tónho, Tónho
Tão mal estimado és
Ai Tónho, Tónho
Nem umas meias tens p'rós pés

Adeus Maria
Que eu vou p'ró mar
Buscar sardinha
P'ra seres rainha
Ela é fresquinha
É como a prata
Não tenhas medo
Que o mar não mata

Tem dó de mim, Tónho
Não sejas mau, Tónho
Não irás mais, Tónho
Não irás mais
P'ró catatau, Tónho

Olha p'ró mar, Tónho
P'ronde é que vais, Tónho
P'ronde é que vais
Tás'ma matar, Tónho
Não posso mais, Tónho
Ai Tónho, Tónho
Tão mal estimado és
Ai Tónho, Tónho
Nem umas meias tens p'rós pés.


1 comentário:

  1. Desde pequena que canto esse "Adeus Maria"...
    A vida dos pescadores é muito difícil. O mar tem tanto de belo como de traiçoeiro. E que precisa de ganhar o pão pescando corre enormes riscos... Por isso as mulheres os esperam sempre com o coração nas mãos, em grande aflição...
    Cuida-te bem, meu Amigo Luís.
    Um beijo.

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