quinta-feira, 21 de junho de 2018

Tra's-os-Montes

Aqui: o poema inspirador

porque me fazes natureza
e chamas por mim
nesse transversal olhar? 

vislumbro longe a beleza
duma paisagem rural.

de mim nada precisas
a não ser colher os frutos
e, nas palavras semeadas
doutros serão elas criadas.

de ti posso dizer
que sem mim podes viver.

leio-te
caminho esquecido
nesta urbe passadiça 
onde o tempo fechado
cobre horizontes.

na raiz
a poesia natural 
eclode 
nos aromas silvestres
nos ruídos canónicos
nas cores matizadas
e todos os sentidos 
despertam
entre serras e vales.

canso a razão 
só de pensar, que há outro lugar
com existência
longe do mar...

e das gentes temperadas
pelos elementos
toda a pele é matriz
toda a vontade se faz.

lm_15.mai.2018


quarta-feira, 20 de junho de 2018

um amor assim...




Um poema brilhante,  de José Carlos Sant Anna - " Um bom bocado" -,
publicado no seu blogue,
Aqui:
e inspirado no filme ,"Summer of 42",
levou-me a sonhar.
......

adolescente
quase gente e
grande
na paixão sentida

tão difícil o crescimento...

nunca compreendeu
o que os olhos dela
viam nele.

eram doces...

um rosto de deusa grega
no corpo de carne e osso

derretidos os olhares
em passeios
pelas ruas a conhecer a cidade
dos subúrbios até à baixa
nos domingos de claridade.

(a *mutamba nunca lhe pareceu tão perto.)

uma ostensiva beleza se passeava
com 'magalas' a admirá-la e
tanto o incomodava. 

vinte anos...

ciúmes, tantos ciúmes sentia
cada assobiadela eram punhais
cravados e sangrava 
pelos olhos
no ódio com que os olhava.

tirando isso
ele era o cavaleiro
que conquistava a cidade.

quinze anos...

férias de verão
e três meses no sonho duma paixão.

nunca mais a viu
desde que ela regressou de avião.

já adulto, o filme ' verão 42'
veio-lhe mostrar como sofreu.


*largo na baixa de Luanda, com
  maximbombos (autocarros) nas
  chegadas e partidas.
 
lm_13.jun.2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

dia histórico

Hoje é um dia histórico.
Após 68 anos (1950) de ter tido início a Guerra da Coreia, que desde então manteve dividido um Povo e criou dois países, até agora, em guerra técnica;
Guerra que durou até 1953, causando quatro milhões de mortos, e foi apoiada, nas partes, pelos EUA, a sul e pela URSS, a norte;
Foi dado um passo que, ainda à um ano atrás, parecia impensável.
O Mundo esteve então à beira de uma Guerra Nuclear.
Como aconteceu com o Muro de Berlim e a unificação da Alemanha, acredito que num futuro mais ou menos próximo poderemos assistir a algo análogo.
Mas, acima de tudo, o que mais importante aconteceu hoje foi a criação dum caminho em direção às Paz.
Vamos lá a ver como tudo vai acontecer.
De onde menos se esperava, vêm estes fortes sinais de que o Mundo poderá ser de todos nós.

(o poema do ano passado) Aqui e Aqui

sábado, 9 de junho de 2018

o adeus

à chuva e ao sol
e ao vento
dois trapos 
presos ao estendal
e ao tempo
quais bandeiras 
desfraldadas
agitam ausências
para espantar ladrões.

a vizinha
viúva e antiga
que à muito 
vivia sozinha
morreu.

agora, vejo os sinais
desses velhos panos
como dois lenços
a dizerem-me adeus.

lm_09.jun.2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018

maio

foto luism

Era Maio. Antigo. E a Rosa. Silvestre. Crescia. Desde a madrugada. À noite. Quase na chegada. 
E o Amor. Quase tudo. Quase nada.
Sorria. Ao dia. A flor. A despontar. 
Sempre. No jardim. Presente.  E airosa. E bela. Colorida. De odor. E o caule na mão. Preso ao fado. Quase homem. Quase menino.

Era Maio. E raiz. Era princípio. E feliz.
Sede e  nascente. Rio e ponte.
E era sal. E mar. E espuma. E poema. Baile e canção. E onda. De pé p'ra mão. E espelho. De água. E Sol. E raio. E Luz. E poente. Nos olhos. Suspensos. Ao sonho. Encanto e miragem. Bonança. E tempestade quase.  E praia. E duna. E maré. Cheia. E vazia. E pelo meio. O vento. A ajudar. Voos. De embalar.

Era Maio. Ainda. A meio ou no fim.
E tu. Aí. À espera. De mim. Oficial-Aprendiz. 

Era Maio... É Maio. Sempre! É o Tempo. E o seu contrário.

lm_31.mai.2018