Tacteio as velhas chagas
no corpo
quase cicatrizadas
Mas novas feridas
se abrem
na voragem do tempo
Demoro a perceber esta febre
onde a alma
tanto esquece.
2026/06/16 -12.40h
"Cada segredo da alma de um escritor, cada experiência de sua vida, cada qualidade de sua mente está escrito em suas obras." - Virgínia Woolf.
Tacteio as velhas chagas
no corpo
quase cicatrizadas
Mas novas feridas
se abrem
na voragem do tempo
Demoro a perceber esta febre
onde a alma
tanto esquece.
2026/06/16 -12.40h
de olhar perdido ao longe
na demora
numa ausência de quem
nada olha
nada transparece
daquilo que sente.
prisioneira
dentro de si própria
tão bela e insegura
da sua serena ternura.
cativa
duma antiga tristeza
(traduzida em beleza)
que perdura
ainda
na minha memória.
eras tu
na súbita claridade da aurora.
2026/06/22 - 17.00h
Faço e desfaço
em mim
o que não queria como laço
e as voltas que não dou
para em mim
não ser cansaço.
Deito o silêncio
que no quarto acho intenso
aberto ao corpo
como grito amordaçado
e nada faço
para não acordar o passado
que surge a cada passo.
2026/06/11 -23.30h
é o tempo na memória
da estória
é a fome adormecida
na saída
é o longe bater do mar
sem luar - sem lá estar.
é o sonho a expandir
por abrir
é a sede primaveril
a fingir
é o verão muito quente
pela frente
é o grito da criança
pouco mansa
é a solidão nesta rua
que já foi tua
é a cerveja que se bebe
como sebe
é a tarde da palavra a cair
num não ir.
é a casa no regresso e na espera
como fera
é o corpo na noite e madrugada
quase nada.
é só isso... iludir a solidão na minha mão.
(e por aqui fica esta narrativa
pouco ou nada afirmativa.)
2026/06/12-14.50h
"o que perco de mim em cada hora?
se de ti nada possuo, com nada fico
quando o excesso que tens já me devora
minha doce-amarga, noite, aurora
continuo junto de ti e vou embora."
Maria Teresa Horta, in As Luzes de Leonor
os mundos que a alma atravessa
sem pressa
extendem-se para além de mim
sem fim
no rasto de quem tanto amara.
"...e se mais mundo houvera, lá chegara"
2026/03/31
e aquilo que escondias de sofrido
caminho que a mim perdeu sentido
- meu doce amor minha máscara de dor -
e se alongou em horizonte inatingido
vejo agora tarde de mais o voo ferido
na queda ao chão do nosso dissabor.
2026/06/01
A ti te digo
meu corpo quase estio
na tade tardia
da nossa melancolia.
E por todo o tempo
a nudez da flor
aroma solto
na asa do sonho
daquele doce amor.
O rio que foi
na intransponível dor
das águas serenas
como quem não sabe valor
do passado, honor
sem corrente e ausente
o descontentamento
desse nosso tormento
desse nosso tempo.
A ti falarei
quando a hora chegar
e os nossos dois seres
quais gotas iguais
se fundirem por fim
neste eterno sabor
e então te direi:
- eu sou o rio, eu sou a flor!
2026/06/02
Lmc
A Ti
Minha Alma fundida, que quinze meses depois
Eu não Te esqueci!
Soneto à Luz
Onde perdeste meu amor a luz viva
Do teu cristalino olhar que era então
O meu sonho, a minha doce paixão
Que das manhãs claras eras cativa?
E nessa beleza que em ti se prendia
A vida teve-te amarrada ao destino
E aos poucos foi deslaçada em fio fino
Até se romper rompendo no dia-a-dia.
Hoje olho para trás em cada fotografia
E não comprendo como nessa altura
A minha percepção não era o que via.
Pobre ilusão constante que ainda perdura
Qual noite escura e de ti tanto se perdia
Essa tua Alma em que a mim se afigura.
Lmc
2026/05/29 -18.00h
De lírios brancos são meus ais
Ao regaço ancorados como um cais
Já não partem, já não crescem.
Só ao teu colo teem a vida que merecem.
Lmc
PÁGINA EM REESTRUTURAÇÃO
Peço desculpa a quem, por simpatia
e amizade, aqui me lia por, para já,
não terem acesso às publicações
postadas - foram revertidas para
rascunho para avaliação -, e por esta
minha longa ausência, em que o sentido
da vida precisa de ser repensado.
Até um dia. Fiquem bem. Bem-hajam!