"o que perco de mim em cada hora?
se de ti nada possuo, com nada fico
quando o excesso que tens já me devora
minha doce-amarga, noite, aurora
continuo junto de ti e vou embora."
Maria Teresa Horta, in As Luzes de Leonor
os mundos que a alma atravessa
sem pressa
extendem-se para além de mim
sem fim
no rasto de quem tanto amara.
"...e se mais mundo houvera, lá chegara"
2026/03/31
e aquilo que escondias de sofrido
caminho que a mim perdeu sentido
- meu doce amor minha máscara de dor -
e se alongou em horizonte inatingido
vejo agora tarde de mais o voo ferido
na queda ao chão do nosso dissabor.
2026/06/01
A ti te digo
meu corpo quase estio
na tade tardia
da nossa melancolia.
E por todo o tempo
a nudez da flor
aroma solto
na asa do sonho
daquele doce amor.
O rio que foi
na intransponível dor
das águas serenas
como quem não sabe valor
do passado, honor
sem corrente e ausente
o descontentamento
desse nosso tormento
desse nosso tempo.
A ti falarei
quando a hora chegar
e os nossos dois seres
quais gotas iguais
se fundirem por fim
neste esterno sabor
e então te direi:
- eu sou o rio, eu sou a flor!
2026/06/02
Lmc