sexta-feira, 16 de novembro de 2018

pingo-de-mel

suave erotismo
nos lábios perdidos
e a raíz dos corpos
na espera
dos sentidos.

de braços estendidos
colhe-se
o fruto suspenso
doce ao olhar.

e à sombra
da frondosa figueira
prova-se
o aroma de luar.

16.nov.2018

terça-feira, 6 de novembro de 2018

enquanto a chuva cai

o tempo corre ao olhar sobre o vidro míope plasmado da janela.  espairam-se as sombras dum mosquito poisado, a contar os dias e as noites frias, tão verticais...sem querer voa.  e as grades prendem o corpo negro com frestas e sombras a desfilarem destinos em vermelhas passarelas.

deslizam gotículas, vindas do mar, como se a chuva, ao de leve, lhe quisesse a vida levar.








sábado, 22 de setembro de 2018

o atol

Imprevistos ventos
Nas tempestades
Ao cais chegados.

E das vontades
As ilusões
Nos passos dados.

Perde-se o rasto
Da liberdade
No chão varrido
Pelas marés.

Fixado o olhar
No voo a resguardar
Toda a enxurrada
São dores de lama.

Submergem 

Sem memória
As palavras
Escritas nas águas
Do atol.



E as rosas nascem do mesmo chão que o pão.

lm_22.set.2018