domingo, 31 de maio de 2020

ricardo ribeiro



só sei que
da poesia nada sei
a não ser que e' da alma
que ela vem.
e quem a canta
em alvoroço emocional
o seu canto e' visceral.
31/05/20020
.........

AS MONDADEIRAS
letra:
Chico Torrão e Zeca Torrão
(cancioneiro alentejano)

Eu aprendi a cantar
Lavrando em terra molhada
Lá na solidão do campo
Pensando em ti, minha amada

Quantas papoilas se avistam
Além naqueles trigais
Tantas como beijos deram
Mondadeiras e zagais

As mondadeiras cantando
Suas penas, seus amores
Não cantam, estão rezando
Num altar cheio de flores

Num altar cheio de flores
Cada uma é um desejo
Os anjinhos são pastores
A capela o Alentejo

Seara, verde seara
Mondada com tanto gosto
És verde na primavera
E loura no mês de agosto

As mondadeiras cantando
Suas penas, seus amores
Não cantam, estão rezando
Num altar cheio de flores.


sábado, 16 de maio de 2020

maio 16

lmc



(hoje)

se é tua
esta mais que cintilante luz
que sobre meu rosto
se deixa cativar
é porque em meus olhos
já não há mais
a pálida tristeza
da estrada na noite ou
mera inquietude das águas na
solidão
dum rio sem foz
mas sim uma forte e límpida manhã
raiada
e a certeza que este doce e
maravilhoso dia
és tu
meu amor.

16/05/2020

sábado, 9 de maio de 2020

Além-Rio

DEAD COMBO "Esse Olhar Que Era Só Teu"




DEAD COMBO "Povo Que Cais Descalço"



DEAD COMBO "Esse Olhar Que Era Só Teu"
Live at Aula Magna, Lisbon, May 2012



Chamavam-lhe sem-nome. Ao peito 
trazia os olhos vazados dos pássaros e 
todo o seu corpo eram veias alucinadas.
Jamais o pronunciou em voz alta porque 
tinha esquecido as águas nocturnas com
que se formam margens, perdido nesse 
rio do tempo. Um dia pediu uma chave  
da vida para do lado de fora entrar. 
Passou a ver o mundo da janela da
memória com medo das portas fechadas.
Nunca mais atravessou qualquer rua e
nunca mais lhe encontraram nome.

domingo, 3 de maio de 2020

O Lar

Distraída como a chuva que cai em qualquer lugar, mesmo no mar, era a sua atenção presa aos dias que se vão, a um barco que parte sem destino , sem saber onde chegar.
Olhando o infinito céu 'a  procura de uma qualquer estrela que lhe indicasse o rumo a seguir, deixava-se ir ao sabor dos ventos que lhe sopravam os cabelos, antes negros, como negros eram os seus pensamentos e agora tão brancos como os flocos de neve que lhe gelavam o coração. 
Deixou para trás as recentes memórias e,  agarrada 'as mais antigas, recuava no tempo em que as primaveras  eram anos de juventude. Deslizava em passos, quase inaudíveis, pela casa, como fantasma de si própria.
Chegada 'a varanda e olhando a rua vazia, assaltou-a a visão dum mundo desconhecido, sem vivalma com quem pudesse trocar um sorriso, um simples aceno ou um sinal de adeus, enfim, uma ideia de que não se encontrava só, enclausurada  e triste.
Interrogou-se se tudo isto que ultimamente lhe diziam não seria uma total mentira. Não podia acreditar no que, sistemática e obsessivamente, as noticias propagadas pelos media fossem verdade. Para ela estava tudo combinado. Era um verdadeiro complot só para a desorientar.
Pediu que alterassem os canais das televisões. Que mudassem as antenas das mesmas. Que  repetissem, ate' 'a exaustão, que lhe lhe dissessem o que  estava a acontecer, como tinha começado e o que pretendiam com tudo isto.
Pensava que as liberdades conquistadas com o 25 de Abril - quarenta e seis anos plenos -, tinham acabado. Que voltaram com a censura e as prisões arbitrarias. Que a ditadura se tinha reinstalado, na sua mais terrível expressão: a força bruta da repressão. 
Pois não se via que nem da sua casa podia sair?
Passaram os dias e as dúvidas mais se enraizavam, a corroer-lhe a vontade, como um vírus - esse sim o verdadeiro inimigo - de se sentir viva.  Isto, assim, não era viver. Já se tinham passado dois meses e ela sem sair. Sem saber compreender como e' que estava tudo fechado. As lojas de roupa onde costumava distrair-se em compras sem qualquer utilidade; as praias desertas onde sempre teve medo do sol - e da 'agua - mas que lhe davam o prazer de ver pessoas  a passear, entre banhos de sol ou resguardadas do maior calor; do cabeleiro onde já não podia arranjar o cabelo para dar aquele ar de se sentir bem com ela mesma; e, nem sequer poder a filha e os netos beijar e abraçar. Tudo estava proibido. Ate' as visitas deles que aos fim-de-semana ainda lhe dispensavam o  carinho dum olhar.
Mas, não. Não poderia permitir. A ela não a enganavam mais.
Pôs um ar determinado, vestiu-se  e saiu para a rua 'a procura de um táxi que a levasse dali para fora, onde pudesse apanhar ar.
Não o encontrou, mas deparou-se com um polícia que simpaticamente a conduziu ao seu devido lugar: a casa de repouso onde o vírus se tinha acabado de espalhar.

TorreBela_Filme exibido

Extraordinário filme etnográfico do Portugal pós 25 de Abril, durante o PREC - Possesso Revolucionário Em Curso -  na ocupação da herdade Torre Bela, em 23 de Abril de 1975




www.medeiafilmes.com

Torre Bela de Thomas Harlan
Torre Bela
1975 - Portugal, França - Data de estreia: 07-08-2007
Com: Thomas Harlan, Maria Vitória, José Neves Paiva

A ascensão e queda de um movimento cooperativo revolucionário foi estabelecida numa grande quinta privada do Ribatejo, em Portugal, de Março a Dezembro de 1975 (a maior parte das ocupações de terras ocorridas no Alentejo foram promovidas pelo partido comunista). Em discurso direto, às vezes em frente à câmara, às vezes entre si, os trabalhadores rurais sem instrução expõem a sua miséria, o seu sofrimento, as suas esperanças e, finalmente, o seu desespero - quando um governo socialista ordena a restituição da terra aos seus proprietários primitivos e estes transformam a terra numa reserva de caça.
Folha de Sala


TORRE BELA um filme de Thomas Harlan com Wilson Filipe, Maria Vitória, José Neves Paiva, Zeca Afonso, Francisco Fanhais, Vitorino, Camilo Mortágua... França, Itália, Portugal, Suíça | 1977 | Duração: 110 min
Em Abril de 1975, camponeses sem terra e sem trabalho, muitos deles analfabetos, desamparados, ocuparam a herdade da Torre Bela, feudo do Duque de Lafões, mais de mil e quinhentos hectares onde nada se cultivava, e aí constituíram uma cooperativa. Foi uma acção espontânea, 572 dias que abalaram o Ribatejo, que contou com a colaboração do MFA. Por lá passaram Zeca Afonso, Vitorino, Fanhais, Camilo Mortágua. O realizador alemão Thomas Harlan filmou a ocupação, ao longo de 8 meses, e Torre Bela, o filme, “uma obra rara e preciosa”, como escreveu Rodrigues da Silva no JL, é um dos mais notáveis documentários feitos em Portugal e na Europa, com “um valor intemporal e universal que muitos filmes captados nessa altura não têm” (José Manuel Costa, director da Cinemateca Portuguesa).
«Na Torre Bela víamos coisas que jamais tínhamos visto, ou sonhado ver. E sem dúvida que os habitantes da Torre Bela poderiam dizer o mesmo: faziam coisas que, sem dúvida, nunca tinham pensado fazer anteriormente. [...] Era preciso que, quer nós quer eles, inventássemos o dia-a-dia. […] Torre Bela é, antes de tudo, um filme sobre a tomada da palavra […] uma vez que é ao falar que as personagens se descobrem, ganham consciência da sua existência e a partir daí podem agir e tornar-se personagens dramáticas.» Thomas Harlan em entrevista aos Cahiers du cinéma, n° 301, Junho de 1979, realizada por Serge Daney, Paulo Branco e Thérèse Giroud
A etnografia militante de Thomas Harlan
Torre Bela é, antes de mais, um documento extraordinário, como por vezes acontece no seio de lutas ou de situações limite, quando a obstinação de “continuar a filmar” prevalece sobre todas as ideias, recebidas ou não, daquele que filma. Os amantes de “real”, os canibais do “instante” (nos quais nos incluímos) ficarão siderados com o filme de Thomas Harlan. Dificilmente teremos visto uma outra colectividade, na sua singularidade, ela própria constituída de singularidades, construir-se e desconstruir-se, envolta num processo político no qual ela é a verdade cega, o ponto de utopia. Mas há mais. Torre Bela dá a ver, materializadas, representadas, todas as ideias-força do esquerdismo político e teórico destes últimos dez anos. “Como se estivéssemos lá” – mas, precisamente, não mais nos encontramos lá; ninguém está lá – conseguimos ver de que massa os discursos de ontem diziam ser feitos, as imagens sobre as quais o som foi “posto muito alto”: a tomada da palavra (caótica: o filme servirá um dia para um estudo sobre o discurso dos camponeses e da língua portuguesa), a expressão popular (e as suas repetições), o povo em armas (os estranhos soldados do MFA), a memória popular (com a amargura dos seus relatos), a fabricação de um líder de massas (Wilson) e a desconfiança dos heróis (Wilson, uma vez mais), as contradições dos populares (homens/ mulheres...), o discurso cínico e tonto do inimigo de classe (a surpreendente entrevista do duque de Lafões), etc. Evidentemente que tudo isto chegou tarde. Em tudo isto nós 
acreditámos; mas está cozido e de repente o filme aparece, numa precisão hiper-realista, como um teste no coração daquilo que foi e como o espectáculo alucinatório daquilo em que acreditámos (no povo, na sua autonomia, na sua revolta). Sem dúvida que é preciso não acreditar cegamente para começar a vê-lo, como não é de todo necessário vê-lo para o continuar a crer. Esta “décalage” entre o cru e o cozido é talvez a verdade dos raros “bons filmes militantes”. Foi preciso esperar que as palavras de ordem e os slogans deixassem de tranquilizar para que as imagens, por fim, chegassem. Mas a uma paisagem devastada. A experiência da comuna popular de Torre Bela (1975-1979) termina no ano em que o filme, por fim terminado, “sai”. Com estas imagens não temos mais (nem nós, nem Harlan, nem ninguém) do que uma relação de canibalismo etnográfico (e não será a etnografia o nosso próprio canibalismo?) ou de estetismo perverso (Torre Bela como utopia, como uma outra utopia). Assim vai o cinema. O cinema nunca está a horas. Sobretudo o cinema de intervenção — o único que para existir deverá ter tempo de constituir a sua própria matéria, e aquele que jamais será terminado a tempo. O cineasta encontra-se numa situação impossível, duvidosa até, e pela qual pode sentir afecto, qualquer que seja o tom piedoso dos seus discursos. Quer seja Moullet a dar-se ao luxo de finalmente conseguir um filme militante-didático-e-terceiro-mundista, num momento em que ninguém sabe o que fazer (quando toda a gente queria, mas ninguém os sabia fazer), ou a estranha temporalidade da experiência-Ogawa, redobrando a atrocidade do real num filme interminável e igualmente atroz, ou ainda Godard passando cinco anos a montar um filme sobre a Palestina, o resultado é o mesmo, a mesma vitória à Pirro, a mesma flecha do Parta, a mesma vingança dos artistas contra os chefes políticos e contra os militantes: eis a matéria das ideias que acreditaram ter, eis o referente das palavras mal-usadas, a prova de que aquilo que falavam (sem o saber ver) realmente existiu: não o mostramos somente porque está acabado. Esta dialética perversa do cozido e do cru é atualmente a última palavra do cinema dito “documental” (de Flaherty a Ogawa, de Rouch a Harlan, de Ivens a Van der Keuken): um olhar de tal modo apurado — diria até acutilante — que fixa o rasto do que não tem futuro. Serge Daney, Cahiers du cinéma, n° 301, Junho de 1979 [trad. Raquel Ermida]
«Todas as contradições que estavam a ser vividas dentro do próprio grupo estão no filme e não estão subjugadas por um discurso que tenta interpretar ou ler imediatamente o que estava a acontecer. Isso deu ao filme um valor intemporal e universal que muitos filmes captados nessa altura não têm.» José Manuel Costa, director da Cinemateca Portuguesa
«Estamos perante um dos mais notáveis documentários feitos no imediato pós-25 de Abril.» João Lopes, Première 
«Uma obra rara e preciosa.» Rodrigues da Silva, JL 
«É um filme próximo dos camponeses, filmado de dentro do “poder popular”. Mas essa proximidade é trabalhada no sentido de uma neutralidade descritiva altamente pormenorizada. Uma das forças de “Torre Bela”, enquanto objecto documental, é o facto de poder ser visto como um “mapa”, logístico e ideológico, daquela situação específica e de outras, mais gerais, que nela se reflectiam — a história de um caso particular que condensa algo do pequeno universo que era Portugal em 74/75. A organização dos camponeses, as relações com as formações partidárias ou com os militares, o activismo cultural (há um momento com José Afonso, Vitorino e, se não nos enganamos, Francisco Fanhais, a cantarem “Grândola Vila Morena” para uma plateia de camponeses), as próprias questões de classe: “Torre Bela” é um testemunho límpido, e historicamente quase “educativo”, de um momento crucial na vida portuguesa das últimas décadas. […] É preciso ver este filme, se queremos ser portugueses e ter a mania de ter ideias sobre Portugal.» Luís Miguel Oliveira, Público
«A experiência de Torre Bela, gesto político e utópico como poucos no cinema, é um património da história de Portugal do último quartel do século XX. [...] É, ainda hoje, o filme que melhor retrata o pós-25 de Abril.» Francisco Ferreira, Expresso
Nota: Estreado em 1977 no Festival de Cannes, Torre Bela conheceu várias versões. Thomas Harlan foi sempre remontando, com o italiano Roberto Perpignani, as dezenas de horas de filmagens (o filme teve Russel Parker na direcção de Fotografia) feitas ao longo de 8 meses, em super 8, depois ampliado para formatos para exibição em sala. Essa versão de Cannes tinha 139’. Em Portugal, salvo algumas projecções esporádicas, nomeadamente na Cinemateca e em alguns cineclubes, o filme foi distribuído com o jornal Público em 1999, por ocasião do 25º aniversário do 25 de Abril, num dvd com a duração de 82’. Torre Bela acabaria por se estrear em sala em Portugal apenas em 2007, pela mão de Paulo Branco, numa versão que ficaria por isso conhecida como a “versão portuguesa” (aquela que se apresenta agora); tem a duração de 110’, e corresponde àquela que, na altura, o realizador Thomas Harlan sugeriu ao produtor e distribuidor português, seu amigo de longa data, e que desde o início esteve ligado à exibição do filme, em Cannes e em sala em França. Em 2018, integrada no programa especial “O Desejo Chamado Utopia”, o LEFFEST — Lisbon & Sintra Film Festival, organizou uma projecção do filme numa nova versão, depositada por Thomas Harlan na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, com a duração de 136’, seguida de um debate com Paulo Branco, o filho do realizador, Chester Harlan, o montador Roberto Perpignani, o director da Cinemateca, José Manuel Costa, o historiador Francisco Bairrão Ruivo, Wilson Filipe, figura central de Torre Bela, Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril e um dos principais estrategas do movimento, alguns dos apoiantes da ocupação da Torre Bela, como Camilo Mortágua, na altura militante da LUAR, e o cantor de intervenção Francisco Fanhais. Na plateia estavam algumas dezenas de habitantes das aldeias de Maçussa e Manique do Intendente, vizinhas da Torre Bela, que participaram na ocupação e no filme de Harlan. Roberto Perpignani fala ainda de uma outra montagem em que ele trabalhou, que terá à volta de 4 horas, cujo paradeiro se desconhece.

Biografia do realizador:
Thomas Harlan (1929-2010) é um escritor, realizador e produtor, nascido em  Berlim, Alemanha. Harlan é conhecido por Wundkanal (1984) e Remembrance (1991).  Harlan foi casado com Katrin Seybold e morreu a 16 de outubro de 2010, na Baviera, Alemanha.

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DAQUI:

No reinado de D. Pedro II (1648 a 1706) a Torre Bela pertenceu ao Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Luís de Sousa, confessor do rei. Posteriormente integrou o domínio do Duque de Lafões com a instituição deste título por decreto régio de 17 de Fevereiro de 1718 a favor de D. Pedro Henrique de Bragança, neto de D. Pedro II e filho do infante D. Miguel de Bragança, tendo-se mantido nesta família durante mais de 250 anos.

Nesse período a propriedade era essencialmente constituída por montados com sub-coberto de matos para alimentação de gado bravo, existindo ainda múltiplas manchas com povoamentos de pinhal manso.

A actividade agrícola baseava-se na exploração de olival e vinha, bem como no cultivo de trigo, essencial à caça. Dentro das instalações da quinta existia um lagar de azeite e uma caldeira de aguardente, bem como cavalariças e um touril.
É particularmente marcante o muro que circunscreve a Tapada, com cerca de 18 kms de comprimento, construído com pedra desviada da obra do Convento de Mafra (1717 a 1735).

No verão quente de 1975, na sequência da “Revolução dos Cravos” de 25 de Abril 1974, a propriedade foi alvo de uma ocupação por parte de populares, que revoltados com o desemprego causado pelo inicio da mecanização agro-florestal, pretendiam a redistribuição da riqueza designadamente da terra, das culturas e dos animais. Por Portaria 305 de 17 de Maio de 1976, a Torre Bela é expropriada por proposta do IRA (Instituto de Reorganização Agrária), tendo legalizado a ocupação antes efectuada. Esta portaria vem a ser derrogada apenas em 22 de Agosto de 1989.

É ainda em 1976 que é criada a Cooperativa Agrícola da Torre Bela que se extingue um ano depois por falta de gestão e por desmotivação dos cooperantes, que viram esgotadas os recursos agrícolas e de caça na propriedade. Com o fim da Cooperativa Agrícola da Torre Bela, a propriedade passa para a gestão directa do Estado (Direcção Geral das Florestas) que nela manda plantar um pinhal de pinheiro bravo. Mas o estado de abandono da propriedade acaba por dar origem a alguns grandes incêndios, designadamente na Retorta e na Quinta da Torre Bela.

SOPORCEL & PORTUCEL
Em 1985 a Quinta da Torre Bela foi devolvida aos antigos proprietários, que a vendem à SOPORCEL para plantio de eucaliptos designadamente nas áreas ardidas, arrendando também, para o mesmo fim, a Tapada em Julho de 1986 e a Retorta em Agosto de 1988. A SOPORCEL em associação com a PORTUCEL instala em 1995 um Centro de Investigação Florestal na Quinta da Torre Bela, e planta uma área de cerca de 40 hectares de vinha.

SOCIEDADE AGRICOLA
Em 1997 a Sociedade Agrícola da Quinta do Convento da Visitação adquire a Tapada e a Retorta e em 2003 a restante área da Torre Bela.
Complementa ainda área com a Achada (2001), Vale da Achada (2002-2008), Quinta de Alcoentre (áreas rústicas do Estabelecimento Prisional de Alcoentre (2007/8) e outras propriedades menores.

Repovoamento

Após a aquisição da propriedade, reintroduz a caça na Tapada com o repovoamento das espécies cinegéticas como o veado, o gamo, o corço e o javali, e inicia a exploração em regime extensivo de vacas aleitantes na Quinta, para o que melhora significativamente as pastagens permanentes e montados. Beneficia ainda diversas áreas para culturas de regadio, construindo e melhorando algumas charcas e abandonando a vinha.

FSC

Em 2007 inicia o processo de certificação florestal pela norma FSC (Forest Stewardship Council) que conclui em 2008.





sexta-feira, 1 de maio de 2020

as mãos separadas

"O britânico de 90 anos, Bill Dartnall, recusou-se a usar máscaras de oxigénio durante o seu tratamento contra o coronavírus, depois de saber que a sua mulher, Mary, não tinha resistido ao tratamento. Ele morreu horas mais tarde.", - dos jornais




© WTMJ


I
faz sol nas praias desertas
e calor
em marés de dor

embala-se o tempo
como se menino não for
este  sinal de choro ao deitar

faz sol até se pôr  
o calor
nos  corpos estendidos da memória

praias desertas
para tanto desejo no caminho feito
para tanto sal no sabor

faz calor mesmo sabendo
que há águas interditas
a quem morre por amor

do peito esse desejo
de não mais querer continuar
não mais ver o sol  interior

porque não chove neste dia
em que o ar não e' mais
do que respirar um frio abraço ?

ou um beijo suspenso num último passo?

II
Plano aberto

Podem dizer
que esta' tudo bem
que vai ficar tudo bem
que tudo ficara' igual
que voltamos 'a nossa antiga vida
que isto e' só um caso de saúde.

Quem sabe tudo
de nada sabe
desta sorte baralhada
que da' de novo um baralho
de cartas por vezes viciado.

Esta miragem
num tudo ou quase nada
de que tudo esta' certo.


Não…não esta' tudo bem!

Esta vida jamais será o que era.
Para o bem ou para o mal
será um novo mundo pela frente
com desafios de adaptação.

Num truque de magia
o céu tornou-se mais aberto
num azul límpido de afeição
mas com as incertezas
de poder abraçar um mundo
em fome e explosão.


Aquela vida vinda de trás
não mais será a vã  glória.  
Não voltara'
mesmo por decreto.
Só se as consciências se abrirem
ao equilíbrio e harmonia
que então nos darão pão.
 

Será diferente
dum  só um plano
em espaço  aberto
inimaginável, por certo.

Um qualquer desenho
inscrito em areias do deserto.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Em Casa d´ Amália




Programa inspirado nas célebres noites em que Amália Rodrigues recebia em sua casa, poetas, cantores, pintores, músicos, atores para tertúlias infindáveis. by RTP


AQUI: Episódio 1
10 Abr. 2020

AQUI:  Episódio 2
Kátia Guerreiro, Rui Veloso, Hélder Moutinho, João Mário Veiga, Pedro de Castro
17 Abr. 2020


AQUI: Episódio 3
FF, José Luís Geadas, Maria Emília, Maura Airez, Buba Espinho, Tiago Correia, João Filipe
24 Abr. 2020


AQUI: Episódio 4
Fábia Rebordão, Filipa Cardoso, João Pedro Pais, André Dias, Bernardo Viana
01 Mai. 2020

AQUI: Episódio 5 
Joaquim Vicente Rodrigues, Joel Pina, Jorge Fernando, Custódio Castelo, Alexandra
08 Mai. 2020

AQUI: Episódio 6 
Lenita Gentil, Tozé Brito, Pedro Moutinho, Ângelo Freire, Flávio Cardoso
15 Mai. 2020

AQUI:  Episódio  7
José Cid, António Pinto Basto, Miguel Ramos, Ângelo Freire, Flávio Cardoso
22 Mai. 2020

AQUI:  Episódio 8
Aldina Duarte, Maria da Fé, Miguel Lobo Antunes, Paulo Parreira, Rogério Ferreira, Francisco Salvação Barreto
29 Mai. 2020



quarta-feira, 22 de abril de 2020

Fazer de Abril em…Mil


25 de Abril



Verso
Dilecto
Hoje confinado
Incompleto.

Doirada gaiola e
Liberdade
Roubada,  sem
Movimento.

Quero-te
Como o Primeiro Abril:
Sem peias a
Relançar o
Andamento.

Num Mundo velho
Mago traiçoeiro
Não venhas falar de
Dinheiro
Nem ofereças
Mirra, Incenso ou Ouro.

Neste dia
Basta um cravo vermelho.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Luis Sepúlveda_ Último Voo


Escritor Luis Sepúlveda morre vítima de Covid-19 – A Televisão

Nascimento: 4 de outubro de 1949, Ovalle, Chile



Falecimento: 16 de abril de 2020


"História de uma Gaivota."

Não!
Não era isto que esperava. Não era esta passagem do tempo confinado, em pontes, entre a noite e o dia, numa luta titânica, imagino, a combater por um sopro de ar. Ele, que respirava Liberdade, que sonhava pássaros no peito, foi vencido por um simples ser microscópico, invasor e destruidor.

[Oculta sombra da máquina num sopro de vida. Finada.]

Nas veias do poeta uma luz se apaga. E o escritor deixa cair a pena no abandono do corpo. Luz incidente nas páginas da memória passada. E nela era vida. E só nelas a voz perdura. Ele, que da memória fazia existência.

O sol ainda brilha, mas nuvens perpassam o olhar desta 'Gaivota' que já não pode voar.
(a Luís Sepúlveda)

segunda-feira, 30 de março de 2020

hoje chovem pétalas de dor



poderia chamar-te pelo nome
ou pelo aroma da primavera;
poderia olhar as estrelas
ou a claridade do teu rosto;
poderia ser a semente plantada
ou a gota que alimentasse a tua sede,

poderia...
mas, perdoa-me, amor.

a minha voz morre ao nascer
quando preso fico
sem ver flores a crescer;
sem afastar as nuvens cinzentas
que dum céu pendem quase sem te ter;
sem saber dos rios que correm,
e das nascentes da inocência,
da água que de meu corpo há-de
purificar este saber,
e sem vislumbrar o fim do deserto
neste trapézio, sem rede e sem mar aberto,
para te olhar... para te ver.