“Ou escreves algo que valha a pena ler ou fazes algo acerca do qual valha a pena escrever.” | Benjamin Franklin

quarta-feira, 8 de julho de 2026

onde não estou...

Não procures aqui onde não 

estou.


Há muito que não sou

corpo

do teu sonho desmedido

amor

que julgas perdido.


Não me procures 

também 

em sítios escuros

ou retidos

pois a luz é minha 

e agora

sou feita dessa luz

que me ilumina.


Se me quiseres encontrar

olha as aves a voar

e entre elas

uma serei eu se tu 

achares.

Ouve o canto das águas 

e dos ventos 

que embalam o meu ser

o meu estar.

Escuta este rio

este mar

ou a terra que querem abraçar.

Vê como as árvores 

silenciosas 

amam o céu

e respiram ternura

como o princípio da aurora

ou a flor que brota

no meio do nada.


Se mesmo assim não me 

encontrares

procura dentro de ti que me hás-de 

achar

pois o meu amor é vida que te quis 

deixar.

2026/97/08-19.30h


sábado, 4 de julho de 2026

Sonho desaprendido da viajem

O sonho que se desgarra

cavalo solto 

livre e sem amarra


Desviado do rumo almejado

pelo vento 

de mim levado


Só ficou o desejo deste fado

de um dia 

poder ser (re)encontrado.

2026/06/16-13.45h

terça-feira, 30 de junho de 2026

De olhos fechados

Tacteio as velhas chagas

no corpo

quase cicatrizadas


Mas novas feridas

se abrem

na voragem do tempo 


Demoro a perceber esta febre 

onde a alma

tanto esquece.

2026/06/16 -12.40h

segunda-feira, 22 de junho de 2026

súbita claridade

de olhar perdido ao longe

na demora

numa ausência de quem 

nada olha

nada transparece

daquilo que sente.


prisioneira 

dentro de si própria 

tão bela e insegura 

da sua serena ternura.


cativa

duma antiga tristeza 

(traduzida em beleza)

que perdura

ainda

na minha memória.

 

eras tu

na súbita claridade da aurora.

2026/06/22 - 17.00h



a cada passo

Faço e desfaço

em mim 

o que não queria como laço 

e as voltas que não dou

para em mim 

não ser cansaço.


Deito o silêncio 

que no quarto acho intenso

aberto ao corpo 

como grito amordaçado

e nada faço 

para não acordar o passado

que surge a cada passo.

2026/06/11 -23.30h

sexta-feira, 12 de junho de 2026

uma tarde por aqui

é o tempo na memória 

da estória 

é a fome adormecida 

na saída 

é o longe bater do mar 

sem luar - sem lá estar.

é o sonho a expandir

por abrir 

é a sede primaveril

a fingir

é o verão muito quente 

pela frente 

é o grito da criança 

pouco mansa

é a solidão nesta rua 

que já foi tua 

é a cerveja que se bebe

como sebe

é a tarde da palavra a cair

num não ir.

é a casa no regresso e na espera

como fera

é o corpo na noite e madrugada

quase nada.

é só isso... iludir a solidão na minha mão.

2026/06/12-14.50h

terça-feira, 2 de junho de 2026

viagem

"o que perco de mim em cada hora?

se de ti nada possuo, com nada fico

quando o excesso que tens já me devora

minha doce-amarga, noite, aurora

continuo junto de ti e vou embora."

Maria Teresa Horta, in As Luzes de Leonor



os mundos que a alma atravessa 

sem pressa

extendem-se para além de mim

sem fim

no rasto de quem tanto amara.

"...e se mais mundo houvera, lá chegara"

2026/03/31

e aquilo que escondias de sofrido 

caminho que a mim perdeu sentido 

- meu doce amor minha máscara de dor -

e se alongou em horizonte inatingido

vejo agora tarde de mais o voo ferido

na queda ao chão do nosso dissabor.

2026/06/01

A ti te digo

meu corpo quase estio

na tade tardia

da nossa melancolia.

E por todo o tempo 

a nudez da flor

aroma solto

na asa do sonho

daquele doce amor.

O rio que foi

na intransponível dor

das águas serenas

como quem não sabe valor

do passado, honor

sem corrente e ausente 

o descontentamento 

desse nosso tormento

desse nosso tempo.

A ti falarei 

quando a hora chegar

e os nossos dois seres

quais gotas iguais 

se fundirem por fim 

neste eterno sabor

e então te direi: 

- eu sou o rio, eu sou a flor!

2026/06/02

Lmc


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Soneto à Luz

  A Ti

Minha Alma fundida, que quinze meses depois 

Eu não Te esqueci!



Soneto à Luz


Onde perdeste meu amor a luz viva 

Do teu cristalino olhar que era então 

O meu sonho, a minha doce paixão 

Que das manhãs claras eras cativa?


E nessa beleza que em ti se prendia

A vida teve-te amarrada ao destino 

E aos poucos foi deslaçada em fio fino

Até se romper rompendo no dia-a-dia.


Hoje olho para trás em cada fotografia 

E não comprendo como nessa altura

A minha percepção não era o que via.


Pobre ilusão constante que ainda perdura

Qual noite escura e de ti tanto se perdia

Essa tua Alma em que a mim se afigura.

Lmc

2026/05/29 -18.00h


De lírios brancos são meus ais

Ao regaço ancorados como um cais

Já não partem, já não crescem.

Só ao teu colo teem a vida que merecem.

Lmc

domingo, 18 de janeiro de 2026

Uma pausa ...

 PÁGINA EM REESTRUTURAÇÃO 


Peço desculpa a quem, por simpatia 

e amizade, aqui me lia  por, para já, 

não terem acesso às publicações 

postadas  - foram revertidas para 

rascunho para avaliação -,  e por esta 

minha longa ausência, em que o sentido 

da vida precisa de ser repensado. 


Até um dia. Fiquem bem. Bem-hajam!