sábado, 23 de janeiro de 2021

dourada prisão

 



[por minha livre paixão

aprisionei a minha vida

e todo o meu coração.]



pássaro em gaiola fechado

com asas perdidas no chão

o seu sonho foi apagado

na cabeça e no coração.

agora bate contra grades

enquanto canta a canção

de nostálgicas saudades.


já não pensa em fugir

tão esquecido o voar

que a vontade de ir

deste maldito lugar

transformado em prisão

mata-lhe a respiração.

sábado, 16 de janeiro de 2021

(des)Venturas no Armário escondidas




 Eles furam as palavras 

por dentro e

instalam o ódio

como sementre em campo virgem.


Arrasam as sílabas

destroem as vozes 

fecham gargantas

queimam flores

lançam espinhos 

matam amores.


Eles não estão sós:

o seu ideológico rancor

anda por aí

acompanhado

apoiado

(sempre andou)

disfarçado

para não se perceber

como nasce um ditador.


Pisam com as botas cardadas

os ventos da história

implantando velhas ideias fascistas.


Constroem muros

aprisionam livres pensadores.


Eles não sabem cantar

(nunca souberam)

mas tocam músicas para embalar.


Não sabem o que custa

acordar 

alvoradas

de gargantas inchadas

a gritarem Liberdade.  


Eles são aqueles que na sombra

manipulam falsos valores

e destilam antigos rancores.


São milhões

as vítimas 

destes demagogos charlatões.

domingo, 10 de janeiro de 2021

desejo


foto net

1

quando de ti 

meu corpo se acalmou

eras pensamento


intemporal desejo

dependente do crescimento.



2

praias espairecidas 

de marés vivas

a perderem o nascimento


no registo da pele algo físico 

a lembrar este mar que

do horizonte apaixonado se cativou.




quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

cidade em chamas

 


Nero_Imperador Romano




arde a cidade 
na império-capital.

feras soltas

mostram os dentes
em nuvem 
de ódios a pairar.

roma moderna

dividida de nero cheiro.

(e o mundo aguarda, espantado...)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Despedida

Trinam as guitarras

do fado 

"Lisboa, Menina e Moça"

sem a voz

que se calou.


E da memória

toda a cidade branca

se orgulhou.


(ao Carlos do Carmo -1939 -2021)


domingo, 3 de janeiro de 2021

asas do tempo

Quando eu souber
do amor 
imenso que tive
uma asa se desprenderá
na queda
qual ave 
na perda do voo.