terça-feira, 24 de novembro de 2020

As palavras secretas do teu nome

foto lmc


Todas as manhãs poisam pássaros
no chão lavado 
dos teus olhos.

Sigo esses momentos 
de alegria,
como se cantassem um poema 
em harmonia.

Já só tenho que aguardar 
outros sinais
para que os dias não sejam iguais.

Não sei o teu nome. 

Não cabe em mim descobri-lo.

Sei que nem todas as palavras 
chegariam 
para o descrever. 

Habita 
no mundo secreto 
do meu mais profundo ser. 

Basta saber que está lá, 
presente,
no encanto de o ter.

domingo, 22 de novembro de 2020

a sombra do destino

Ansel Adams

caminhava

entre sombras e tristeza
apagando-se no sonho
que lhe dera beleza

caminhava

ainda na noite
sua única aliada.

apontou para longe
muito longe
para a sua rectaguarda

e nada

nada via 
a quem pudesse chamar
"minha amada".

caminhava

ainda se lembrava
como os anos eram longos
e doce fora o dia

ainda 
aquele dia
onde o sonho nascia

e agora
dentro de si 
morria.

caminhava

ainda 
pensando numa qualquer
alvorada

caminhava

sozinho 
o caminho no carinho 
de quem ainda acreditava

caminhava
ainda...
nessa estranha estrada.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

amar, amar


amar assim eternamente
é estar presente
no dia e noite para sempre

amor é isso

mesmo que o nosso amor
seja repente
há-de o tempo acalentar a gente

e estar assim 

dar todo o tempo 
que o nosso tempo 
é todo entregue a quem se sente.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

dos lábios

Foto: Galyna Andrushko / Shutterstock.com

prisões de porta aberta
e muros altos 
derrubados

 

e os olhares

apagados

das paixões

 

é mais do que

visões

mais que as monções

 

meu rio de saudade

antiga

desprendida

 

ainda mais que água

derretida

rasto de sede sentida

 

aos lábios gretados

 

em fim de deserto

do meu mais longo sonho

sentido

 

e aquele prazer

tão esquecido

agora lento e desmerecido

 

ainda assim


um eterno sabor

dos teus lábios

em flor.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

tatuagem


foto lmc

Nas suas mãos colhia 
ventos 
para deles harmonizar 
as velas quebradas pela 
solidão. 

Num chão de mar
repousava o olhar tão
cansada 
de tempestades.

Esperava 
acalmar
e liberta-se da angústia 
latente.

Nos seus dias mais
cinzentos
era o som das ondas a trazer-lhe
bem-estar.

E foi numa tarde de luz 
clara 
que o sol lhe marcou
o corpo
qual tatuagem em pele 
adormecida. 

Ainda 
teve a vaga sensação de uma breve 
brisa
a refrescar-lhe as 
ideias. 

Quando voltou a casa
marcou aquele dia no calendário 
e nunca mais teve 
medo 
de se perder na escuridão.