domingo, 22 de agosto de 2021

o mar

de olhos fechados


trazia nos olhos os cais de embarque de 
um navio já sem mar.

adivinhava-se-lhe uma tempestade 
nas águas revoltas
quando dos seus passos uma 
linha imprecisa se desenhava na amargura 
da pedra.


outras vidas tinham sido a sua 
quando, mais novo
nos caminhos de oceanos 
conhecia um lar.

ainda se lembrava, vagamente, 
o primeiro porto 
onde o sol prometia horizontes
em ilhas virgens
para se poder encontrar 
e, fazer sentido 
do seu destino.

agora, perdeu a vontade de 
partir 
para esse, ou um 
outro qualquer lugar
a que quisesse chamar seu e acostar.

já só quererá fechar os olhos 
descansar e... ver o mar.