domingo, 22 de agosto de 2021

o mar

de olhos fechados


trazia nos olhos os cais de embarque de 
um navio já sem mar.

adivinhava-se-lhe uma tempestade 
nas águas revoltas
quando dos seus passos uma 
linha imprecisa se desenhava na amargura 
da pedra.


outras vidas tinham sido a sua 
quando, mais novo
nos caminhos de oceanos 
conhecia um lar.

ainda se lembrava, vagamente, 
o primeiro porto 
onde o sol prometia horizontes
em ilhas virgens
para se poder encontrar 
e, fazer sentido 
do seu destino.

agora, perdeu a vontade de 
partir 
para esse, ou um 
outro qualquer lugar
a que quisesse chamar seu e acostar.

já só quererá fechar os olhos 
descansar e... ver o mar.

2 comentários:

  1. Depois de ler este teu lindíssimo poema, fecho os olhos e fico a ver o mar que trago gravado no corpo.
    "adivinhava-se-lhe uma tempestade
    nas águas revoltas
    quando dos seus passos uma
    linha imprecisa se desenhava na amargura
    da pedra." Tão belo, Luís! Tinha saudades de te ler.
    Desejo que estejam bem. Continuem a cuidar-se.
    Um a boa semana.
    Um beijo.

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  2. Na vida tudo tem o seu tempo, mas nem sempre é possível acostar.
    Gostei do poema.
    Quem passa uma vida à deriva, nem sempre tem deriva para fundear.
    Abraço amigo.
    Juvenal Nunes

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