domingo, 6 de junho de 2021

O jardim

Lembra-me um jardim 

este meu sonho:

um banco, a sombra e tu 

um pouco longe de mim.

Lembra-me 

a árvore ao lado da clareira

(essa árvore que vivia em mim)

e no meio desta

o lago a espelhar-se entre o sol e 

a sombreira.

Lembra-me a tua silhueta 

ao fundo 

e o entardecer a doirar a tua pele;

os aneis brilhantes 

dos teus olhos, castanhos 

e a doçura desta luz a pentear-te.

Lembra-me quando te aproximaste

e gravaste em mim

um coração cheio de perfume

e por baixo a palavra sem fim:

"amo-te".

Deste meu jardim

a árvore que vivia por mim

(acácia rubra de paixão)

deixou cair uma flor

ao teu regaço, amor

uma só flor essa que escolhi 

e ta ofereci.

Lembra-me este sonho

como se acabasse de o sonhar

acordado

e o dia fosse igual

igual, nesse meu jardim.

5 comentários:

  1. A memória é tremendamente uma voz que grita aquilo que o tempo foi desgastando para que não esqueçamos o que nos foi redenção e abrigo... Lindíssimo, este poema, meu Amigo Luís.
    Cuidem-se bem.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  2. O sonho vive em nós, como uma realidade.
    Um poema que fala de lembranças, pleno de sedução e romantismo.
    Encantei-me!

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  3. Está belíssimo, este teu sonho de amor, Luís.

    Aplaudo a inspiração e a sensibilidade.

    Saúde e dias calmos de verão.

    As melhores saudações, amigo poeta.
    ~~~~~

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  4. Molto bello questo momento in poesia,
    un bellissimo sogno, i ricordi ci ispirano.
    Un abbraccio Luis.

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