quarta-feira, 18 de outubro de 2017

a memória dos inocentes


foto de capa, do jornal "Público", do dia 17.10.2017


“são como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.” 

Eugénio de Andrade

......

memórias

houve um tempo
em que o tempo era nosso
único e por inteiro.

desenhava-se o mundo
ao compasso de cada passo.

era o tempo das memórias:
nos profundos silêncios
alimentavam-se as horas.


  • mas o tempo acelerou

e do registo do tempo
entre línguas de fogo
só as palavras cristalinas sobrevivem.

ardem os ventos aos olhos
crispados 
e na pele cola-se o sal da angústia
das mãos escorre o abandono e a prostração
e o futuro é só uma miragem
tanta e tão forte é a desilusão.

na morte anunciada
há um extinto passado 
na terra queimada.

só as cinzas permanecem
na volátil vontade dos homens.

...e sobre as cinzas
caminha o rosto da nossa culpa.



domingo, 15 de outubro de 2017

morte do rio tejo



seguem os rios sinuosos 
os seus destinos
impertubáveis aos desejos
dos barcos encalhados.

destes
já só o chão é sonho e mar.

mas para os peixes a boiar
nem sonhos, nem desejos:
já a poluição lhes matou o ar.

domingo, 8 de outubro de 2017

1...5


1.- 

já não dói
amor.

esquece
por favor
ou leva aos lábios uma prece
como quem já não padece
e agradece
o momento 
sem sofrimento
qual saciada flor 
que ama com amor.

já não é tua aquela dor
que ouvia em clamor
o que passou...
passou.

aqueles dias sombrios
afogaram-se entre rios
e todas as lágrimas
que algum dia
choradas 
alguém teria
já só são
memórias
na escuridão
inglórias.

deixa p'ra lá
essa tristeza 
que não dá.

abre o coração
e terás à mão
o amor
sem qualquer dor.

o amanhã é já hoje
é futuro que não foge
aos olhos de quem se tem
como outros 
de mais ninguém.

2.-

indiferença

o que dói 
é o olhar ausente
de quem passa
entre a gente
sem calcular
que em qualquer praça
podes ser esse alguém
no seu lugar.

3.-

o que dói 
é a vacuidade da vida:
estar só
sem amigos
(ou inimigos)
e uma fria refeição servida.

4.-

nada é nosso
nem as pedras das serras
nem as terras cultivadas
nem as árvores já criadas
nem as casas abandonadas
nem os caminhos esquecidos
nem os rios poluídos
nem o ar, nem o mar
nem o céu, sem esperar
a morte que há-de chegar.

5.-

"agora tenho medo.
antes, enfrentava o fogo
a querer-me roubar o que tinha.
agora, cansada e sem forças, fujo.
e já só me resta esta velha vida."


domingo, 1 de outubro de 2017

autodeterminação

Catalunha, hoje - foto net


pode o poder 
estúpido e cego
calar a voz
na vontade dum povo?

é na injustiça
e prepotência
que se forjam nações.

"a liberdade está a passar por aqui"

.....

por quem esperei - 
somos "filhos dum deus menor"
(verso e reverso)

1.- 

cavalgar o tempo
a cada momento
dobrar o infinito
no presente fito
qual prado aberto
ao nosso encontro.
e tudo se perde 
em qualquer espera.



2. - 

vem ter comigo 
ao país dos sonhos
aquele outro
o sítio 
dos nossos encontros.

vem pela manhã
bem cedo
antes da crueza da luz 
apagar as sombras  
do nosso lamento
não esperes a tarde
que cedo é a noite 
de tanto tormento
para nós podermos 
ouvir o cantar 
dos pássaros
diferente do poiso 
no seu chilrear.

e
nos olhos cruzados
ver os sorrisos
em voos precisos
sentir
através da alma 
o espelho firmado
que nunca nos mente.

e
quando chegares
bem perto de mim
não espantes o passo 
e dá-me um abraço
a encurtar distâncias
das nossas ausências.

podes perguntar
ao vazio perverso
onde é que eu estive
onde foi meu verso
e
se algum dia
me lembrei de ti
como nós éramos
o que esperavas de mim
dir-te-ei 
talvez
não foi só este o momento 
a pensar em ti.

não!
muitos outros houvera
que mal me senti
e
não sei se sabes
mas o tempo parou
quando
aquela esquina
por mim se dobrou.

deixei de te ver
mal perdi memória
por ter acabado
essa bela estória
que estava tão certa
como o dia da aurora
e
outra houvera
se a tua vontade
fosse outra 
que não
a de partires
sozinha
ao largares-me da mão
contrariando a vontade 
do teu coração.

vem...
Liberdade.

vem ter comigo 
faremos o nosso melhor
e juntos seremos
o que
separados não temos.




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Equador

desenho de LuísM


Um chão de Mar
Estendido ao olhar
Ao meio do dia
A travessia.

Linha do Equador
Um barco quase a vapor
O 'Quanza' a lamentar
O seu vagar.

E nos olhos da criança
A esperança
Debruçada 
Na âncora pendurada.

E na água prateada
Deste Mar
O menino espreitava
Os golfinhos junto à quilha
Num suave navegar.

(reeditado)


terça-feira, 19 de setembro de 2017

pequeno ponto azul nos confins do(s) universo(s)






misteriosas e estranhas veredas estas que
presas ao tempo colam imagens
fragmentadas
de verdades construídas nas incertezas e nas crenças com que habitamos os nossos medos.

esse tão diminuto grão de poeira onde permaneço
este meu ser, é uma ínfima parte no momento
instante que se faz num querer
tão absoluto.

viver o agora, sem muito pensar no passado
e com o próximo ou longínquo futuro
não estar angustiado
é passaporte para viver despreocupado.

mas tudo o que faço tem influência no futuro
e é nessa perspectiva, sem acreditar
noutras vidas, que não a que vejo e sinto,
que se me fosse dado olhar, dum distante sistema solar, a Terra parecer-me-ia uma frágil poeira no ar.

não há salvadores ou protectores
que nos venham ajudar.

...e só nós dela teremos de cuidar.

[nota: lamentavelmente, continuo com problemas na m/conta e impedido de comentar em blogs do Google.]

domingo, 10 de setembro de 2017

Quem Sois...?

Quem Sois, Senhora, que de meus olhos, tão luminosa beleza, cega minha tristeza?

Vendo-Vos, minha arte é sombra ardente, que de meu lume faço
e de amor trespasso.

Tendo-Vos, em tão vasto sentir, é um todo em parte
é abarcar o mundo num só abraço
e de minha alma voar todo o cansaço.

E sendo Vós tão rara e gentil presença, serve Vosso manto 
de útil e calorosa Benquerença.




a mais doce, a mais terna, a mais bela canção de amor.



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

agosto



a meio do dia
já sem lugar
onde se refrescar
o gato segue as sombras
curtas dos beirais

vai com destino
sem dono
de fininho
à procura de luar.



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

contra-luz



tinhas o sorriso preso ao olhar
e nesses olhos um pôr-do-sol
a bailar.
junto à falésia e ao fundo o mar
cruzaste o horizonte sentada
entre plantas verdejantes e raios de contra-luz.
não sei o que pensei ou sequer se o mundo era habitável em mim.
tudo ficou suspenso no tempo.
esse tempo dum só momento
dum só desejo.
dum juramento.
só me lembro que se houvesse um paraíso
ele seria aqui.
e nele poderia viver eternamente...


domingo, 13 de agosto de 2017

janela de poesia

Pôs-se à janela
parei, olhei-a e...
casei com ela.
.....

Não sei o que seria
esse olhar sem poesia
mas sei, meu amor
o que sem ti que dor
teria.

Isolo o pensamento
na dispersão do vento
e a mim chegam dias
dos poemas que dizias.

Hoje, tudo é diferente
nessa janela sem gente
de sonhos já tão curtos
e sombras dos nossos lutos.

Que importa tal leveza
se ainda vejo beleza
no dia que amanhece
e na noite que se tece?

basta-me na escuridão
a pequena chama
da vela na mão.


domingo, 30 de julho de 2017

holograma



quisera tão só ser o momento 
que não o do desprendimento.

quisera...
emergir o tacto entre as doces águas 
prender os abrunhosos seios à raiz do pensamento
reter a curta hora no minuto longo do nosso tempo
absorver a tarde clara até ao lusco-fusco da existência
(e gravar, nesse crepúsculo, toda a eternidade)
e por fim, do teu traslúcido  olhar
conservar em boião de olfacto
a noite de luar.

quisera...
mas o céu fez-se chama
e o ar que me tocou
era duma estrela cadente em holograma
que, sem o saber, quase passou,
qual quimera
e logo, logo, se apagou.

(à minha amiga Helena, ausente)

[Nota: Mantém-se o impedimento de publicar comentários noutros blogs, com erro na configuração da conta de e-mail, que não sei como resolver.]


segunda-feira, 24 de julho de 2017

prado de sombras


Neste porto de águas profundas
os embarques são lágrimas caídas
como cerejas no chão amadurecidas
sem ninguém para as saborear.

Sem regresso, partem imagens
de corpos, que fizeram sentido
e, na mais pura solidão
cumprem um destino, nos caminhos
que outros não adivinharão.

São sombras perdidas no prado
onde a luz desliza suavemente
para impedir toda a imortalidade.




segunda-feira, 17 de julho de 2017

passagem




foi tão breve esta passagem
entre vós
tão breve este amanhecer
que o ocaso já se aproxima
como se a vida neste mundo
fosse um só dia de crescimento.

não tive tempo de as minhas palavras

- tão poucas que elas foram -
chegassem ao vosso coração.

valeu a pena, mesmo assim, esta intenção.


se, um dia, casualmente

sentirdes  uma breve e suave brisa acariciando o vosso rosto
pensai que serão essas palavras a tocarem-vos em voos de compaixão.

sábado, 15 de julho de 2017

áfrica a sul

imagina-te prisioneiro
(vinte e sete anos de cativeiro)
condenado na vida, por inteiro
em cela exígua, longe, sem rastreio.

imagina, que o crime julgado
foi por seres negro, discriminado
e todo o teu povo, posto de lado
país onde nasceste e  foste criado
onde a tua voz se tinha levantado
contra a injustiça, pelo explorado.

imagina os muros e barreiras
necessários, que te levassem a criar
para todos os medos a excomungar
sem poderem entrar
e a dignidade por alterar
no trato e nas maneiras de ser
ganhando o respeito dos teus inimigos e transformando o ódio e todos os perigos, em amor pelo próximo.

imagina-te mais forte que todos os exércitos
derrotando-os com estes méritos
expulsando os medos da morte.

pois esse sonho foi real, mas está a ser destruído por outros, como tal.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Helena_ A Última Página


LUTO

QUARTA-FEIRA, 12.07.17



Leninha, por algum desses mistérios da vida, você sabia que estava partindo e quis preparar o meu coração, mas eu me recusei a ouvir as palavras que me queimariam como fogo, pois não queria aceitar que iria perder um pedaço de mim. Ainda ouço a sua voz a me orientar, a pedir, a explicar tudo que eu deveria fazer quando você partisse. E enquanto você falava eu apenas fiquei olhando o seu rosto tão suave, os fios do teu cabelo louro começando a crescer, gravando na minha alma a sua expressão e os seus lindos olhos verdes. Para sempre vou me lembrar da sensação que senti quando você me abraçou bem forte e falou: obrigada Veruskinha por tudo que fez por mim nesta vida.
Minha Leninha, eu nada fiz por você além de aceitar com muita gratidão as coisas maravilhosas que sempre me chegavam através da sua bondade, do conforto de seus conselhos, de suas palavras sempre cheias de carinho. Se fiz alguma coisa foi simplesmente amar você com aquele amor infinito como se ama uma filha do coração e estar sempre pedindo a Deus pela sua felicidade.
E quando você se foi, eu só conseguia sentir que estava perdendo uma parte de mim, e as lágrimas só receberam consolo por saber que você estava feliz, pois sabia que iria encontrar os seres amados que já haviam partido. E eu fiquei imaginando a festa que eles fizeram com a sua chegada e tolamente me lembrei daquela famosa frase do Pequeno Príncipe:
“Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir!”
Para mim você será como uma estrela que vai me sorrir em qualquer parte do céu que eu olhar, pedindo um conselho ou apenas matando as saudades.
Vão ficar muitas das nossas histórias guardadas na minha memória, a me lembrar a falta que sentirei de você, minha amiga e irmã querida, minha "filha" tão amada.
Atendendo o seu pedido aqui estou encerrando o seu blog, apagando as postagens anteriores. Desculpe não ter seguido apenas a orientação de deixar um vídeo com uma das músicas que foi tema do seu casamento, a Ave Maria, pois eu senti necessidade de escrever estas palavras.
Daqui a algum tempo eu prometo apagar a minha mensagem e deixar apenas a música que você tanto gostava e que representava uma união de amor.
Agora eu me despeço de você, Leninha querida, e vou buscar um pouco mais da sua presença cumprindo todas as outras orientações que você me deixou, do jeitinho que você gosta, com capricho, com amor, com dedicação. Porque você era também isto, minha menina, uma perfeccionista em tudo que fazia.
Que Deus a tenha sempre na Sua Santa Paz.
Da sua, sempre sua,
Veruskinha




DE helena ÀS 13:58



sábado, 8 de julho de 2017

dois poemas, duas guerras [...]

Ressoam perto
Os tambores da guerra 
E dão como certo
O uso da fera.

É o clube nuclear
No seu 'melhor'
P'ra destruir
E...tudo acabar.

A dança das espadas
Nas sombras da guerra
E as vozes iradas
Nesta miserável Terra.

Há silêncios de morte
Nos vivos que esperam
Que sem o saberem
A morte, será uma sorte.

São cavalos de Ferro
Voando o Espaço
Cavalgam o Fogo
Varrendo o Chão
E deixam em Aterro
O nosso Perdão.

E só as espadas sentirão...!

.........

[mãe]
Soldadinho 
Oh, meu menino
Faz a picada
Que leva a nada
Olha o capim
Quase sem fim
Não te distraias
Em falsas faias
Parecem ouro
E são de morro
E as suas lanças
Têm lembranças
Dos 'canhangulos'
Em dias escuros.

[pai]
Faz a picada
Leva a espingarda
Bem empunhada
Não vá a sorte
Ditar-te a morte
Na distracção
Do pé p'rá mão.


[filho]
Olá pai, olá mãe
Eu, por cá, tudo bem.

[pensamento]
Hei-de voltar 
Se a morte 
Não me abraçar
E, se chegar
Junto ao teu peito
Quero sentir o palpitar
Naquele teu jeito
De tudo dar.

[anjo]
Que seja vivo
Inteiro
Sem chumbo 
A te matar
Ou a vestir-te
P'ra regressar. 







sexta-feira, 23 de junho de 2017

pinhal interior_natureza morta


"fénix" - foto da net
(atente-se ao lado esquerdo - parece uma imagem feminina com almas ao colo)

ardem as palavras 
incendiadas
na dor.

e sem fuga
no meio do terror
o grito cercado
desesperado
em turbilhão.

vidas em fogo
destruídas
sem compaixão.

entre o céu e a terra
as labaredas da nossa
incompreensão...



sábado, 10 de junho de 2017

deste nosso mundo

andre kohn

esta noite
todos os cantos são redondos
aos ouvidos e ao olhar
todos os sinais
são​ presentes
na presença do teu corpo
que adivinho
no interior deste amar.

esta noite
hás-de estar ao chegar
sem espera no tardar
e hás-de despir o preconceito
de dar
e receber
esta música
da pele a cantar.

esta noite
o nosso mundo é uma concha
e nada nos deverá perturbar.


[Nota: Um arreliante problema criado por recentes actualizaçõs do Google impedem-me de publicar comentários.

Pelo facto peço as m/desculpas.]


quarta-feira, 31 de maio de 2017

nos braços de morfeu



Morfeu e Íris
Por Pierre-Narcisse Guérin, 1811


traço o descanso do corpo
na geometria da noite
e deixo correr a mente
na insustentável leveza 
em voos de animação
onde estando me ausento
numa viagem de suspensão.

chegado o dia, caem os anjos

aos pés da cama e adormecem
em acalmia.


domingo, 28 de maio de 2017

sábado, 27 de maio de 2017

sinais...




Era um piar desesperado, em voos de agitação, da sala para o pátio interior e deste para o exterior onde, por uma janela gradeada, mas sem vidros ou portais, entrava de novo na sala.
Daqui, sem portas, voltava novamente ao pátio e poisava num muro limitador.
Revirava o pescoço nos dois sentidos e lançava ao ar toda a angústia, no chamamento de algo.
O meu pensamento, perante este insólito acontecimento, era de que a minha presença estava a incomodar este ser, sem outra razão.
E era compreensível. O barulho que fazia ao limpar os quintais das ervas daninhas, o cortar e podar árvores, o varrer o lixo acumulado no interior, aliado ao pó estampado no chão, davam aquelas duas horas um cenário de guerra.
Foi quando, já no final desta tarefa, ao recolher mais um destroço, dentro dum balde caído, no pátio onde o pássaro continuava em total desassossego, que encontrei, escondido dentro desse balde e por baixo do fragmento de telha, em plástico, a minha total surpresa:
um filhote, de pelugem negra, rabo ainda curto e bem alimentado.
Sem piar e responder aos chamamentos da mãe, mantinha-se imóvel, adivinhando qualquer perigo à sua existência.
Talvez a sua ainda curta vida lhe tenha ensinado os perigos nas incursões de vários felinos.
Os gatos faziam dali território privilegiado na caça e procriação.
Segurei-o com a mão mas, logo em seguida, escapou-se-me. Ligeiro sobrevoou rasteiro para dentro da sala.
Apanhei-o, de novo, e olhando em volta, na escuridão do fumo agarrado às paredes, descobri, por sobre uma janela protegida da intempérie, com vidro,   no que anteriormente tinha sido uma caixa de estore, um ninho encostado a um canto.
Peguei numa numa velha cadeira e com as pernas a tremer (creio do móvel), subindo-a, depositei aquela preciosa carga, dentro do ninho.
Seguidamente, saí, fechando a porta da entrada no pátio e entrei no carro, estacionado em frente à casa.
Fiquei à espera. Logo depois, a mãe veio a voar pousando no gradeamento da janela, que lhe dava acesso à sala e... ao seu tesouro. 
Olhou para mim, alguns momentos que me pareceram tão curtos para tanta felicidade minha e...entrou.
Ainda esperei alguns minutos antes de me vir embora.
E, nesses minutos, a minha alegria era imensa ao ver vida, onde antes
houve morte. O dono da casa pereceu ali, naquela sala, intoxicado por incêndio inadvertido.

Amanhã vou espreitar e saber se está tudo bem...