quarta-feira, 4 de julho de 2018

Canto do meu canto

Dum único canto
Faço minha a voz
Encanto o teu leito
De ninho perfeito.

Percorrer-te o corpo
Como se minhas mãos
Fossem andorinhas
Em asas de voo
Acariciando o ar
E falassem...
Deste navegar.

Curvo os longos espaços
Nos sons interiores
Com que desenho pautas
Como se fossem flores.

E é nesse jardim que
Me faço de amores
Planto presença
Como se fossem ninhos
Na criação de mim.

Toco as manhãs
Sem saber os dias
E, entre silêncios,
Oiço rufar tambores
Que marcam ritmos
No remar do tempo
Por rios sem dores.

E assim eu canto
Sem saber o quanto
Meu canto é de ti.

lm_ 04.jul.2018

5 comentários:

  1. Um poema com raízes na mais excelente lírica portuguesa… Muito belo, meu Amigo Luís.
    Um beijo.

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  2. um canto e tanto, meu caro amigo Luis!

    admirável esse tom de balada que tão bem sabes imprimir
    na tua poesia...

    gostei, muito

    abraço

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  3. Amigo Luís, um verdadeira "canção de bem querer"! linda esta forma de poetar o amor, o desejo, o ser amado.
    Uma forma harmoniosa e doce, que encanta, e apetece, ler, reler, reler.... e voltar a reler para saborear cada palavra.
    Uma balada cantando a vida. Lindo.

    beijo de luar, querido amigo.

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  4. "E assim eu canto
    Sem saber o quanto
    Meu canto é de ti."

    Um canto de puro sentimento e desafio poético.

    Um poema que sai do jardim - em asas. Como brilha!

    Parabéns, meu amigo Luís.

    Beijos.

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  5. Bravíssimo!
    Encantada com essa
    belíssima poética.
    Bjins
    CatiahoAlc.

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