quinta-feira, 10 de maio de 2018

o que não sabia

Eu avisei-vos, 
senhores do Norte
que nada sabia
das origens desse dia

Sitiados meus olhos, 
as margens
vêem correr as águas 
E eu não sabia
Que todo o poema 
é alquimia
E plantado, 
pode alterar 
a estrutura universal

Eu não sabia

Que o seu olhar, 
deslizava para o mar
Como esse rio, 
largo na foz,
mas que teve estreito veio
no génese da vontade

E quem saberia
que do sonho 
faria fantasia
Estrelas por cima
de costas estendido
na erva (terra que digo)
em cama de abrigo

Eu, então, não sabia
que os anjos eram delírio
na inocência que perdia
A cada passo...
a cada nova teoria

Eu avisei-vos, senhores
de qualquer latitude
que o poema ilude
E na longitude dos ventos
há sempre folhas secas
abaladas nos seus vôos.

lm_11.mai.2018



2 comentários:

  1. Magnífico poema, meu Amigo!
    "Eu avisei-vos, senhores
    de qualquer latitude
    que o poema ilude".
    Avisaste, mas eles não acreditaram que as palavras urdem caminhos, organizam protestos, mas também transmitem a esperança...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  2. um belo poema que se cumpre no seu maior desígnio:
    - iluminar os percursos da vida! pois bem se sabe que existe, sempre folhas secas em nossos passo

    gostei muito, Luis

    forte abraço

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