sábado, 9 de dezembro de 2017

o guarda-rios

«Toda a noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és talvez alguém que se finou!...»

Florbela Espanca

guarda-rios, foto da net


*o guarda-rios*

Já não sei
quantos rios foram meus.

As águas formam correntes 
nas veias e dispersam as margens do tempo

Ao largo passam barcos 
carregados de sonhos

E o Solitário guarda-rios
de lodo no cais
faz-lhes sinais para acostarem
e com eles o levarem
mas dizem-lhe que não há mais lugar.

LuísM_09.12.2017

5 comentários:

  1. Luis
    um poema que é um grito sussurrado
    profundo e encerrando uma mensagem pertinente
    a imagem inspiradora está excelente
    bom fim de semana.
    beijinhos
    :)

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  2. Amigo Luís, uma homenagem à Florbela Espanca, num poema onde a tristeza dita as palavras. Tão ao jeito dela.
    Um "abandonado" guarda-rios, neste país sem água e onde o lodo de cada cais é um local de sonhos desvanecidos.
    Um grito preso garganta de um guarda-rios que não se esquece de cantar. Fabuloso, querido amigo!
    Bom fim-de-semana.
    Um beijo... de luar

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  3. Luís, levo o guarda-rios no meu barco, aquele que todos os dias invento para escapar aos naufrágios desta vida. Tenho lá lugar para ele. Não quero que fique no lodo...
    Muito belo, o teu poema.

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  4. há que esbracejar! não se pode desistir dos sonhos...

    o poema é muito belo e de alguma forma pertubante
    assim o sinto

    abraço, meu amigo Luís

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  5. Lindo poema. Doce de ler. O guarda-rios é uma ave muito bonita. No Ribatejo, onde nasci, existem muitas aves iguais.
    .
    Escrevendo versos ( Poema Livre)
    O GRITO DO SILÊNCIO DOS AFLITOS.
    .
    Que a luz da Paz, ilumine o seu coração
    Bom dia/Boa tarde/boa noite.
    .

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