quinta-feira, 9 de novembro de 2017

as horas redondas


ouves a minha voz?
ouves o cantar dos pássaros
nas árvores despidas?
ouves os teus sonhos adormecidos
nas noites sem corpo?
ouves os ribeiros sem cascatas
na secura dos desejos?
ouves o soprar do vento agreste
na pele crispada?
ouves o bater do mar agitado
a cantar tristezas?
ouves o trovão do desespero
a anunciar a desilusão?
ouves as folhas secas pisadas
dos meus passos?

não há aqui nada para alguém 
como eu
a não seres tu
meu meigo e maravilhoso amor...

que dizer da poesia
na manhã inocente
deste dia?

que o sol brilha e
a claridade do olhar
é reflexo da utopia?

- ah, !!!

a chuva seria 
poema
em gotas de alegria

e por tudo
compaixão e companhia

do mais
tudo é secundário.


3 comentários:

  1. belíssimo poema, meu caro Luís
    de um lirismo terno e (quase nada) amargo que serve de tempero... estético.

    "a chuva seria
    poema
    em gotas de alegria",

    quem me dera ter escrito estes versos!

    caloroso abraço, meu amigo

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  2. Tão belo, Luís, este poema. Cheio de musicalidade e ao mesmo tempo profundo, interrogativo, agitado como uma bandeira ao vento.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  3. "não há aqui nada para alguém
    como eu
    a não seres tu
    meu meigo e maravilhoso amor...", então, amigo Luís, então há TUDO! Onde o amor impera, há um tudo, pleno, preenchente, como este poema de uma leveza e beleza que apetece ler e reler. Tem melodia pelo interior das palavras, tem doçura a embrulhar cada frase. Atrevo-me a desejar que as horas permaneçam tão redondas quanto estas: sinal de poemas fabulosos e belos.

    Beijo de luar

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