domingo, 1 de outubro de 2017

autodeterminação

Catalunha, hoje - foto net


pode o poder 
estúpido e cego
calar a voz
na vontade dum povo?

é na injustiça
e prepotência
que se forjam nações.

"a liberdade está a passar por aqui"

.....

por quem esperei - 
somos "filhos dum deus menor"
(verso e reverso)

1.- 

cavalgar o tempo
a cada momento
dobrar o infinito
no presente fito
qual prado aberto
ao nosso encontro.
e tudo se perde 
em qualquer espera.



2. - 

vem ter comigo 
ao país dos sonhos
aquele outro
o sítio 
dos nossos encontros.

vem pela manhã
bem cedo
antes da crueza da luz 
apagar as sombras  
do nosso lamento
não esperes a tarde
que cedo é a noite 
de tanto tormento
para nós podermos 
ouvir o cantar 
dos pássaros
diferente do poiso 
no seu chilrear.

e
nos olhos cruzados
ver os sorrisos
em voos precisos
sentir
através da alma 
o espelho firmado
que nunca nos mente.

e
quando chegares
bem perto de mim
não espantes o passo 
e dá-me um abraço
a encurtar distâncias
das nossas ausências.

podes perguntar
ao vazio perverso
onde é que eu estive
onde foi meu verso
e
se algum dia
me lembrei de ti
como nós éramos
o que esperavas de mim
dir-te-ei 
talvez
não foi só este o momento 
a pensar em ti.

não!
muitos outros houvera
que mal me senti
e
não sei se sabes
mas o tempo parou
quando
aquela esquina
por mim se dobrou.

deixei de te ver
mal perdi memória
por ter acabado
essa bela estória
que estava tão certa
como o dia da aurora
e
outra houvera
se a tua vontade
fosse outra 
que não
a de partires
sozinha
ao largares-me da mão
contrariando a vontade 
do teu coração.

vem...
Liberdade.

vem ter comigo 
faremos o nosso melhor
e juntos seremos
o que
separados não temos.




3 comentários:

  1. Magnífico poema, que é um grito de alerta e ao mesmo tempo um recado de esperança...
    Gostei imenso.
    Um beijo.

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  2. um poema em sinal de alerta
    e de esperança também
    a foto é muito emotiva
    beijo
    :)

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  3. As luzes de alerta brilham no rasgão de uma noite em pleno dia, em luz de sol rubro. De vergonha? De raiva? Ou apenas de desespero mal contido?

    Seja o que for, este poema é uma espada vibrando no espaço da vida, lembrando que os Homens têm que (re)aprender a olhar para o seu irmão e ver nele outro ser humano, que erra, que tem medo, que quer, que sonho.

    Fica a esperança que entrança estas palavras, fortes e belas. Imagem dura e muito bem casada com as palavras. Como sempre o meu amigo sabe o que faz.
    Belíssimo poema, amigo Luís, muito seu.

    Beijo de luar

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