domingo, 30 de julho de 2017

holograma



quisera tão só ser o momento 
que não o do desprendimento.

quisera...
emergir o tacto entre as doces águas 
prender os abrunhosos seios à raiz do pensamento
reter a curta hora no minuto longo do nosso tempo
absorver a tarde clara até ao lusco-fusco da existência
(e gravar, nesse crepúsculo, toda a eternidade)
e por fim, do teu traslúcido  olhar
conservar em boião de olfacto
a noite de luar.

quisera...
mas o céu fez-se chama
e o ar que me tocou
era duma estrela cadente em holograma
que, sem o saber, quase passou,
qual quimera
e logo, logo, se apagou.

(à minha amiga Helena, ausente)

[Nota: Mantém-se o impedimento de publicar comentários noutros blogs, com erro na configuração da conta de e-mail, que não sei como resolver.]


3 comentários:

  1. Há vidas, que nos tocam como estrelas cadentes. Passam por nós como cometas e deixam nas nossas vidas, o seu rasto de luz, o seu odor de estrela, o seu toque de infinito e eternidade. Eu penso, Luís, que esse " teu translúcido olhar" possa mesmo se "conservar em boião de olfacto a noite de luar", que emanará para todo o sempre de uma "estrelinha" que brilha lá no alto.

    Beijo de luar, querido amigo.

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  2. Como diz um poeta, "um amigo que parte é uma ferida na luz"...
    Muito belo.
    Um beijo.

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  3. Quisera o poeta ter na mão o tempo, na expressão estelar de um holograma: quem me dera arder nesse fogo?
    Que o desejo se concretize.
    Abraço.

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