quarta-feira, 22 de março de 2017

rios feridos

Era tarde, tão tarde
Nas horas coadas  
Que a luz definhava 
Noutras alvoradas.

E o rio passava
Em brandos sussurros
De mágoas deixadas
Por detrás dos muros.

(metais pesados nas águas do Tejo)


6 comentários:

  1. "temos ouvidos e vemos/não podemos ignorar"...
    abraço, caro amigo Luis

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  2. Versos que gritam uma revolta que os rios, no seu silencioso passar, vão expurgando pelas margens onde se acumulam tantos detritos quanto a insensibilidade do homem... Belos e atuais versos deste teu manancial de grandes escritos, meu amigo!
    Toda a natureza está chorando com os rumos tomados por uma tecnologia que vai deixando rastros de destruição por onde passa, por um progresso que avilta aquilo que o homem deveria preservar como o bem mais precioso da herança deixada pela mãe-terra, a sua própria Natureza!
    Será que as lições que hoje as escolas fazem proliferar entre os alunos/crianças, como guardiães de um futuro que lhes será entregue tão desvirtuado com tantas mazelas, repito, será que estas lições serão suficientes? Ensinar às nossas crianças e jovens a respeitar, preservar e amar uma Natureza que já se encontra tão desvirtuada, tão maltratada e vilipendiada nas suas raízes? Como entregar tal responsabilidade se os adultos de agora não tiveram esta preocupação e só a demonstram agora quando o estrago maior já foi feito? Como parar esta devastação se o progresso é o imenso devorador destes bens, é o gestor de tal desolação?
    Ah, meu amigo, choram os rios, choram as matas, florestas, lagos e mares, a atmosfera... E o nosso pobre planeta que sofre em grande escala e vê intensificado o efeito estufa e o aquecimento global... Sem falar na poluição sonora e visual... São tantos os ângulos desta questão ambiental, desta degradação da nossa Natureza, que ao final também choramos nós, que no pouco que podemos fazer para tentar neutralizar, pelo menos até onde nossos recursos alcançam, os descalabros de tantos, nos vemos na maior parte das vezes de mãos atadas, e com a triste sensação de fracasso pelo tão pouco que podemos fazer.
    Desculpe, meu amigo, mas me empolguei nesta revolta que por vezes encobre a leve esperança que me chega quando vejo minhas crianças empenhadas em apender a preservar o meio ambiente, com uma acentuada consciência da valorização das maravilhas naturais que Deus nos deu.
    Tomara, meu amigo, que elas encontrem no seu futuro um ar puro para respirar, ouvidos atentos para apenas ouvir a canção do vento e do mar, olhos de amor para ver pássaros, flores e borboletas a dançarem nos jardins e parques, animais preservados nas florestas e matas... A valorização da biodiversidade... Enfim, que sejam elas as construtoras e guardiãs de um mundo mais bonito, mais harmonioso e mais elaborado na Paz.
    Ante isto tudo, meu querido, deixo-te esta pérola de pensamento do inesquecível Chico Mendes:
    “No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”.
    Fica com um sorriso e uma estrela para enfeitar o sonho que te chegará nesta noite de céu tão bonito, como o pedaço que diviso aqui do meu quarto.
    Leninha

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  3. Rios feridos pela insensibilidade e irresponsabilidade dos homens.
    Lindíssimo!!!
    Um abraço
    MAria

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  4. Um belíssimo poema que é um grito de alerta. Temos que ter atenção ao que fazemos, para que, no milagre das manhãs, haja sempre um rio para purificar a nossa sede...
    Um bom fim de semana.
    Um beijo, meu amigo.

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  5. alerta ou revolta
    ou...quiçá
    apenas uma realidade

    :)

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  6. Uma revolta com razão para o ser. Um rio "magoado" pela insensatez do homem. Um grito de alerta: quem o ouve? Quem o atende?

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