terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A Avó-Mãe, Branca



Maternidade”, de Picasso. 1905.

e o céu escurecia 
e o poema morria
e a criança dormia

e tu 
paravas no tempo
do tempo perdido

e eu
olhava o vazio 
no silêncio da sombra

tantos foram os anos (49)
na pobreza duma mãe 
que abandondo uma filha 
jamais conheceu
o amor que ela tinha (e tem):
- Rosa Branca !

(inspirado numa crónica de vida, hoje lida)


5 comentários:

  1. Há vidas que são poemas a morrer, são palavras caladas à nascença e crianças mudas de abandono. Há vidas de uma dureza e pobreza incalculáveis. E há poemas que pintam a magia e singeleza de uma Rosa Branca - de perdão.

    Um revelar, escondendo, com muita mestria.
    Boa semana Amigo.

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  2. há poemas assim - que de tão reais doem.

    belo poema.

    abraço

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  3. No silêncio da sombra
    Dolorosa mente belo

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  4. Magoa pensar. Magoa reconhecer que há casos assim. Magoa saber que há mães que a vida separa dos filhos. Magoa tanto...
    Um beijo meu amigo.
    Uma boa semana.

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  5. Um poema belíssimo, tocante e vestido da sensibilidade
    do Poeta ao tocar a dor deste abandono, transcendendo
    esta história (situação) na poesia inscrita...
    Uma boa semana no alto astral, amigo Luís!
    Um beijo.

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