sábado, 5 de novembro de 2016

líderes...

Asma al-Assade, "Rosa do Deserto", primeira dama syria

como é possível
tanta beleza
frente à terrível
devastação?

a presa
ali à mão
no xadrez político
não passa dum peão.



...e tudo é pó

pedras do caminho
   ardem no silêncio
   do artesão.

palavras por dizer
   de pernas dobradas
e borboletas
   em voos de acasalamento
esperam
   a flor desabrochada.

a claridade fere 
   a página por desbravar
e a cinza solta-se
   da terra queimada.

a vida é cruel
   quando a manada
   segue cega 
   o líder e o seu erro.


6 comentários:

  1. Cegos liderados por cegos - mas os líderes têm, normalmente, uma cegueira com "muita visão", para um lado apenas. Um rosto de princesa, apenas e só, uma "rosa do deserto"...
    Reflexão, constatação, um belo texto.

    ResponderEliminar
  2. Venho agradecer o post no meu cantinho; Obrigada Luís! Uma homenagem linda à "Mulher", como pode "ter medo de ofuscar" seja o que for? É, bem pelo contrário, um elogio ás mulheres. Um final com uma intensidade muito sentida; "Abraço-te, como se o Mundo fosses tu" - Lindo!! Mais uma vez, obrigada.

    ResponderEliminar
  3. Por mais que nos interroguemos, menos respostas encontramos para o que se passa. O seu poema é pertinente. É um poema de que pensa e se questiona. As rosas do deserto também murcham...
    Uma boa semana.
    Beijos, meu Amigo.

    ResponderEliminar
  4. Um poema de excelência no conteúdo, na estética e
    na profundidade filosófica expressiva.

    Esta cegueira é fatal!...

    Apreciei muito, Luís!

    ResponderEliminar
  5. Muito belo, poético e profundo
    o seu comentário do meu poema...

    Muito grata, Luís!!

    ResponderEliminar
  6. Por vezes o povo é quem mais ordenha

    ResponderEliminar