segunda-feira, 24 de outubro de 2016

ir e voltar



venho
dum país inventado
onde o mar é oceano
e o sonho foi castrado

venho
dum século e dum ano
onde se sentia o receio
de viver em pobre meio

venho
dum pobre povo perdido
onde a liberdade era mito
no horizonte escondido

e parti
a navegar a lonjura
a descobrir a doçura
e conhecer amargura

porquê não sei o que faria
noutra qualquer harmonia
que não o círculo perfeito

um pouco de terra e mar
com ternura no olhar
e um certo sabor a sal

e regressei 
aonde parti 
mas era outro
que nasci

um impensável desenho vivido

em mapa escrito na pele
rasgado em pássaros de mel
e um rio cantado ao ouvido

...de permeio 
um mundo a traço cheio... 

mas repartido ao andar
entre culturas e povos
de países velhos e novos
há esse imenso mar
que de mim faz de um outro
e muito lugar.



2 comentários:

  1. Que belo poema, na linha da nossa mais excelente tradição poética. Tem música, tem ritmo, tem toda a inquietação que o olhar pode reter.
    Uma boa semana.
    Um beijo, meu Amigo.

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  2. Há em cada um de nós um eterno partir para regressar. Um ir para depois voltar. E, muitas vezes, um partir para renascer. Lindo poema, inquieto, desperto e vivo.
    Beijo de luar

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