sexta-feira, 2 de outubro de 2015

gestação

Museu da Cidade_Lisboa



mãe
minha mãe, quando eu nascer
não quero ver
não quero ver
esse teu rosto, lindo
a padecer.

oh minha mãe, quando eu nascer
deixa-me olhar-te
e um beijo dar-te
porque mereces
por tantas preces
em me conceber.

minha mãe, quando eu nascer
quero só ser
quero só ser
o teu menino no teu viver
sentir o cheiro
do teu suor
sentir o labor
de tanto amor.

minha mãe, oh minha mãe
quando eu nascer
dou-te um sorriso
em recompensa
de tanto em querer
um filho ter.

E, mãe querida
se adormecer
sara-me a ferida
por não nascer.



1 comentário:

  1. Um poema muito comovente.
    Lembrei-me de Sebastião da Gama: "Quando eu nasci,
    não houve nada de novo
    senão eu.

    As nuvens não se espantaram,
    não enlouqueceu ninguém...

    P'ra que o dia fosse enorme,
    bastava
    toda a ternura que olhava
    nos olhos de minha Mãe...
    Um beijo.

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