quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

as cadeiras vazias

luís castanheira
À minha frente todos os lugares estão
vazios.  Esperam... Ausências físicas
de corpos, em momentos que ficam
nas memórias do redondo espaço. Mas que
diferença fará, a esses lugares, vazios
ociosos e frios?
Será total a indiferença
mas para mim não. O silêncio
espelhado, plasmado, é de ouro
ou outra coisa qualquer...É como estar
e em todas as cadeiras,  sentar-me
nelas, ao mesmo tempo e com elas falar
com os meus "eus", habitantes do espaço.
Trocamos olhares e sei o que pensam
sei o que querem.. Às vezes discordamos  
noutras a concordância é total
por vezes o interesse do diálogo desperta o meu sentido.
Aí, tenho uma longa e salutar conversa
sobre tudo e sobre nada. Em silêncio... E o que fica
já não é solidão. É o  sentimento 
da existência, por dentro da paixão.

17.dez.2014


1 comentário:

  1. Às vezes, quando o silêncio cresce dentro de nós, há ausências que nos deixam construir cenários com as sílabas do poema.. São momentos em que a alma se torna côncava a todas as paixões...
    Um belo poema. Bom Natal. Obrigada pelas suas palavras.
    Um beijo.

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