sexta-feira, 3 de outubro de 2014

rua sem saída

foto: luís castanheira


vagas dispersas de multidões
soltas ao vento que a rua acolhe
mundos fechados entre portões
o olhar vago que não se escolhe

a indiferença passa ao lado

e na esquina sempre fendida
há um rebordo feito de fado
uma sentinela sem a guarida

a chuva cai e o vento segue

ocupam espaços que já não são
ferida a calçada  tudo se perde

mágoa do tempo no tempo incerto
e sem valia fica mais fria a solidão
daquele pedinte aqui tão perto

Sem comentários:

Enviar um comentário