terça-feira, 15 de julho de 2014

a noite sem alvorada (noite calada)

Lisboa_Museu da Cidade_ luís castanheira
 I

No jardim junto ao passeio
há uma árvore de permeio
e no sopé junto à relva
estava um pardal adormecido
cabeça encostada, de pé e sem sentido
onde esperou a morte na noite treva

O cacimbo espalhava-se onde caia

e nas penas unidas mais arrefecia
num coração que não mais batia
o frio propagou-se à noite
e a noite ficou mais escura
numa tristeza que apagou
a beleza da verdura
como um açoite.

- Amanhã o dia cantará essa agonia!


(para a Sofia, que viu o mesmo que eu via

e o boss, já velhinho, a descobri-lo, num passeio,
na nossa companhia)

05abr.2014 – meia-noite

luís castanheira

II

Não mais te ouvirei cantar
oh pássaro da meia-noite
frio adormeceste ao luar
não mais voltarás a voar
noite varrida num açoite
já tuas asas fechadas
ainda jovens destinos
encontram-se agora paradas
em sonhos de cantos e hinos.

Tua cabeça erguida

virada ao céu sem medida
deixa pensar que a morte
ao levar-te desta vida
foi momento de má sorte
e ela ficou surpreendida.


Sobre o tapete verdejante

junto à árvore como amante
encontraste apoio santo
que consolou a agonia
dum fim que nada previa
onde a chuva é o teu manto.

…ou então carinhosa mão
te depositou no chão
num gesto de compaixão.

LM_06.abr.2014 - tarde


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