sexta-feira, 30 de maio de 2014

orgia e poder


Já teve graça, ora em desgraça


Sentado em mesa de frente
A mim, fingindo que não o vi
Está o presidente da junta
A ver se olho e a atenção me caça

Tenta mostrar-se, ser visto, reconhecido
- e eu que só quero não ser comunicativo –
(leio poemas ao acaso de f.pessoa)

Levanta-se e por mim passa, cumprimenta
Tento fazer-me surpreendido
Respondo, levantando os olhos do livro
E vejo-o num espaço de tempo e espera
Que o veja e lhe responda.

É uma 'bela' escola essa onde aprendeu
Alta classe de políticos

Mas eu já aprendi também a conhecê-los
Na procura sôfrega de votos
Mas olhando-os vejo-os mortos.

Já nada têem para dar, é só prometer
Esquecem o fundamental
Que em primeiro e último está o dever
De servir e não servirem-se como tal
Do erário público na sua desmedida orgia do poder.
- e eu que só queria estar sozinho a ler…

LM_2013

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