sexta-feira, 30 de maio de 2014

Nada de nada


Nada tenho
De meu, nada tenho
Sou dono do nada
E não é meu desejo
… meu ensejo
Aumentar a parada.


Livre e despojado
Sem amarras
Não ser amado
Por outras caras
Solitário na noite
O vento em açoite
Frio, fere-me o rosto
De desgosto.


Único companheiro
Que me empurra
P’ró desfiladeiro,
Ora trava
O percurso sem lava
Seco e pesaroso
Árido
Convidando-me ao repouso
A adormecer sem me ter
Lá ficar
Para sempre, estar
Lá, onde a manhã não chegará
Com os seus raios de vinho
E não me acordará
Sozinho.

Esse é o desejado caminho
Sem destino
Ausente do tempo
Sem passado ou futuro
E o presente já demente
Declínio permanente.
Oh, tristeza, cria um muro
Deixa-me sem memória
Para não ter qualquer história.


LM_19.nov.2013 – tarde


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