sexta-feira, 30 de maio de 2014

Mar de fogo


Tanta terra, tanta serra
Tanta pedra que não medra
Ainda bem. O calor que ferra
Na floresta em cinza ardida
Sêca e desleixada, aí vêem, aí estão:
Os fogos de verão.

Por criminosa mão
Arrasam riqueza
Esperança e beleza
E jovens bombeiros mortos
De pé a combatê-los, e como eles
Árvores que não podem fugir.
Ano após ano fica um país lunar
E consciências limitadas ao pesar.
(nada fizeram na prevenção)

Rostos, de velhos cansados
Olhos perdidos, vagos e feridos
Deitados sobre a destruição
Escancarados sonhos do pé p’ra mão
Sem forças para os recomeçar
Pesadelo medonho até para respirar

LM_22.ago.2013


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