sexta-feira, 30 de maio de 2014

Já não há baleias no mar do Japão




Mar infame
Mar vermelho
Mar de sangue
Mar- aparelho
Mar-inferno
Armadilha e terror
Mar eterno
Mar de morte e pavor
Morte em massa
No Japão tradicional
A matança aos milhares
Dos golfinhos em desgraça
Dia a dia, ano a ano
Mar de caça
Das crias, pais e outros pares.

(Enseada natural, de beleza sem igual)

Taiji maldita e fatal.

Encurralados com ruídos
Perturbados nos sentidos
Entre guinchos e gemidos
Loucos de chacina e pavor
Mortos e em fuga feridos
Por um povo caçador
Um segredo do Japão
Triste povo e nação.

(também em dois séculos a Europa chacinou
99% das baleias da Gronelândia, só acabando em 1935 
porém, outras espécies se seguiram…)

Mas há bocas que não falam
Há rostos que não se calam
Há olhos que nunca viram
Há ouvidos que nunca ouviram
Há braços que não abraçam
Há mãos que não se dão
Há pernas que nunca andarão
E pés que jamais o chão pisarão.

São crianças, outras vítimas inocentes
Alimentadas por mercúrio acumulado
Alto preço na ganância destas gentes
Onde finda a cadeia nutriente deste fado.
  
Não é dor nem desamor
Não é ódio ou rancor
Nem revolta nesta nota
Mas não seja letra morta;
É puramente tristeza
Pela matança da beleza
Constante na Natureza.

A escuridão desceu aos oceanos
Não, não são enganos
A chacina das baleias
É abrir as nossas veias.

Quando acordarmos
Se acordarmos algum dia…
À nossa volta restará uma única via
Pejada de morte e agonia
Naquilo que mais amamos
A nossa própria vida.

(a escuridão desce aos oceanos…)

…mas quem muito mal fez ou faz…
amanhã poderá ser outro, arrepender-se, e ficar em paz!

LM_14.nov.2013


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