domingo, 8 de junho de 2014

cama de orvalho

I
Deitas-te numa cama de orvalho
Num chão feito de emoção
Que me parte o coração
Entrego-te o consolo no que valho
E aqueço a tua mão.
Soltas as pontas do desgosto
Amargurada, triste e desolada
Percorres a noite sombria e calada
Largando silêncios de lágrimas no rosto.
Adormeçes, enfim, quente por fora
Mas não sei o que sentes por dentro.
As minhas mãos acolhem-te num manto de esperança
De que o amanhã seja feito de bonança.

II

Deitas-te em cama de orvalho despida
De lágrimas vertida em assombração
E as nuvens carregadas em prostração
Vagueiam o teu rosto na temporal distância sentida.
Um choro feito emoção rasga-me o coração
Soltas as pontas do desgosto e desilusão
E eu fico à escuta na distância curta
Em almofadas ora secas ora molhadas
Qual ladrão que invade e furta
Deixando para trás feridas não saradas.
A minha mão na tua tenta aliviar tanta tristeza
Mas a distância curta não cria a perspectiva
Com que deveria olhar mais intimamente a tua solidão cativa
E assim não posso mostrar-te o Mundo da real beleza.

LM_Jan.2013


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