domingo, 8 de junho de 2014

emigração

Foto: luís m.castanheira


Rio de fogo estendido
Em rasgado voo planado
Pássaro branco perdido
Num horizonte amado.

Jovem ainda em viagem
Com destino incerto e sombrio
Rasgo de espaço sem paragem
Dum porto inseguro sem brio.

Mar a tocar o céu
Em noite escuro de breu.

Oh! Jovem sem pais
Avós e outros mais
Partiste só com as mágoas
Num caminho sem margens
Um destino no olhar
Perdido no verbo amar.

Oh! Jovem oráculo da verdade
Tanta saudade
Hás-de deixar
Presa à terra
E ao cheiro
Deste padecer sem luar.

Partes para terra fria
De gelo nos sentimentos
Emoções estranguladas
Nas tuas próprias razões
Já não há estrelas douradas
A guiar-te o percurso de anões
Dum horizonte esquecido
Na memória de menino ferido.

Lembras-te quando o ocaso
Aquecia o futuro do teu passo?

Eras criança com destino
Eras alegria todo o dia
Eras a mão guiada pelo chão
Eras tudo o que ainda não foste.
Ficavas preso ao deslumbre da noite
Sem medo do amanhã ainda cedo
Foste projecto e ambição
Foste o sonho grande num pequeno coração
Que batia sorrindo no carinho e paixão

Tanta emoção…

Hoje perdido olhas p’ra trás
E não vês o caminho de quem o faz
- Quem te levou ao momento
deste tamanho sofrimento?

(dia em que o T.C. chumbou a convergência das pensões)

LM_19.dez.2013



Sem comentários:

Enviar um comentário