sexta-feira, 30 de maio de 2014

descolonos


E, de repente,
no meio da gente
a guerra presente
outra guerra,
nova guerra
a mesma fera.

É o asfalto
É o muro alto
É o incauto
É o mato
É o cacto
É o capim
É o fim
É o palco
É a rua
É o teatro
É a vida tua
É a esquina
É a sina
É a cor
É a flor
É o cheiro
É o tiro matreiro
É o medo
É o trovão cedo
É o sabor
É o suor
É o estampido
É o gemido
É a ferida
É a mãe querida
É a fuga
Nas arcadas protectoras
Das balas invasoras
É a rusga porta a porta
Gente morta.
É a bazuka
É a cuca
É o prenda
Nesta senda
 É o coração
Arrancado pela mão
É o hospital
Tanto mal
 Atacado
Bombardeado
RPG’s,  Hk’s e  gêtres
São os esses e os cês
É a chama
É a morte
Pouco sorte
De quem se ama
É o dia…
feito noite
É o açoite
Chicotada duma bala
E a noite não se cala
É o grito e a metralha
Não se falha
É a carne perfurada
É corrida desenfreada
É terror e pavor
Desamor
É rajada
Na esquina fechada
Cano ao alto
É o assalto
É a fome
Não se dorme
É Agosto
Já sem gosto
É ração, enlatados
E os carros já parados
Abandonados
É noite muito alta
Tudo falta
É a música dos martelos
O serrote e os pregos
Nos caixotes
Casas fortes

São as vidas quase mortes
É a madrugada na cidade
Triste realidade
É a guerra sem piedade
Como todas. É a fera.
É a terra já vermelha
Empastada por centelha
É a palavra incendiária
Do ódio como malária

É o comício na cidade
No muceque o seu  contrário
É a verdade
É o boato e a falsidade
na ponta da baioneta
É a vendetta
É o sonho duma vida
Já perdida
É o colono
O porto e o aeroporto
É a ponte
O salto a saída o desmonte
De qualquer jeito
Mão atrás mão é frente mão no peito.

(…e assim com uma guerra civil os colonos
              auto-descolonizam-se
– "máxima" dum capitão maoista do MFA)

LM_03. jan.2013



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