sexta-feira, 30 de maio de 2014

página em branco


Branca página que olhas para mim
À espera que na tua esfera escreva
És a minha obsessão, a minha serva
Início e fim; vida onde nada se altera
Por mais que sonhe na longa espera
Algo que o coração dite e ponha fim.

Mas eis que uma só lágrima escorrega
Dos olhos de quem para ela olha
E nada vendo nessa branca folha
A mancha de dor como o corte da flor
No crescimento dum grande amor
Sem a mão singela de quem a rega.

É uma mancha que o coração deixa
Impressa como o poema feito dor
Ó triste dor, pungente de desamor
Rasga o papel, só para ele eu minto
Tudo o que sinto, é um oco recinto
Na alma vazia, que ora se queixa.


LM_21.jan.2014


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