sexta-feira, 30 de maio de 2014

barro além-mar

 (I)

Fizeste-me de barro
do menos caro
toscamente moldaste
o corpo e a mente
Dos cheiros doces
nunca aprendi o faro.

Terra de pobre gente
em emigração permanente
eu fui contigo
no pensamento
na lágrima vertida
sentida
na despedida do momento.

Barro seco ao luar
sem substância a concentrar
parti na distância
em precoce infância.

Pobre terra parideira
de pesadelo e canseira
ainda bem!...
tornaste-me forte
em pura ira de sorte
e o trigo que sou
é trigo que se separou
foi malhado em sol aberto.

Horizonte rasgado
Por mar salgado
tornado longe e perto
deste-me assim futuro certo
a então castrada liberdade
e feliz fui e amado
na minha curta mocidade.

Fev.2014

(II)

O barro além-mar 

Fizeste de barro
o corpo onde amarro
a hora da memória
e toscamente moldaste
as dores onde ficaste
na minha curta história.

A terra da qual se faz gente
Só emigração permanente
só o pensamento
na lágrima vertida
sentida
na despedida do momento.

Barro seco ao luar
nada a concentrar
parti-me na distância
em precoce infância.

Foste terra madrasta
os filhos na canastra
parideira
de canseira
levaste-me além
ainda bem!...

Tornado forte
em pura ira de sorte
fui malhado em sol aberto
e o trigo que sou
o destino separou
e semeou em campo recto.

Horizonte rasgado
Por mar salgado
tornado longe e perto
deste-me assim futuro certo
a então castrada liberdade
e feliz fui e amado
na minha curta mocidade.

LM_Fev.2014 


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